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A tesoura seletiva de Ronaldo Medeiros

Doze anos de silêncio e uma pressa só

O deputado estadual Ronaldo Medeiros descobriu a vocação fiscalizadora na hora exata. Não abriu a boca sobre a privatização da Ceasa, não questionou a articulação que garantiu mandato de cinco anos a Otávio Lessa na Arsal — manobra que abriu a vaga no Tribunal de Contas do Estado para o governador licenciado Paulo Dantas — e agora apresenta projeto de lei para restringir a comunicação institucional do Estado.

Foram oito anos de governo Renan Filho e mais quatro de Paulo Dantas para o deputado propor o que considera tão urgente. Não propôs. Esperou a chegada de JHC, de quem é opositor, para sacar a proposta da gaveta. Coincidência que só convence quem quer ser convencido.

E o projeto, vendido como avanço, não democratiza coisa alguma: penaliza veículos de menor porte e limita a publicidade fora de Alagoas, justamente a que serve para vender o turismo do Estado lá fora. Democratizar, nesse caso, virou sinônimo de apertar.

Urgência tardia

Doze anos de governos aliados sem um parágrafo sobre o tema. Bastou mudar o inquilino do Palácio para o assunto virar prioridade absoluta.

Tesoura seletiva

A proposta é mais uma peça no conjunto de iniciativas que buscam reduzir os poderes da futura gestão estadual. Fiscalização de véspera tem nome, e não é fiscalização.

Quem paga a conta

Veículos de menor porte, que dependem de verba institucional para sobreviver, são os primeiros a sentir o corte. Democratização que começa estreitando.

Turismo na fila

Limitar publicidade em outros estados é atrapalhar a promoção de Alagoas justamente onde mora o turista que gasta. Praia boa não se vende sozinha.

Cinco anos de conforto

O mandato esticado de Otávio Lessa na Arsal não mereceu nem uma pergunta do deputado. O silêncio, ali, foi de primeira grandeza.

Vaga aquecida

A mesma articulação deixou pronta a cadeira no TCE para Paulo Dantas, governador licenciado. Nenhum projeto de lei foi apresentado sobre isso.

Ceasa sem debate

A privatização da Ceasa passou pela Assembleia sem contestação de Medeiros. Agora a comunicação do Estado é que tira o sono do parlamentar.

Conta que não fecha

Doze anos de omissão divididos por um projeto de urgência dão a média exata da preocupação: zero com a democratização, tudo com a mudança de poder.

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