O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) foi acionado para apurar uma representação por inércia e excesso de prazo contra um promotor de Justiça alagoano. A petição aponta a paralisação das apurações de denúncias de violência sexual e abuso de poder que têm como alvo principal Manoel Geraertes Alves Cruz, o “Geo Cruz”, prefeito de Ibateguara. Os relatos apontam abusos e coações morais contra mais de 40 mulheres do município, a maioria terceirizadas ou funcionárias públicas.
O processo tramitou inicialmente no Ministério Público Federal, sendo encaminhado, em outubro de 2023, ao Ministério Público de Alagoas. Em 9 de julho de 2024, a Procuradoria Geral de Justiça editou uma portaria designando em caráter de urgência, para que o promotor denunciado adotasse as medidas cabíveis. Porém, o funcionário do MP ficou sem movimentar o sistema oficial por mais de 800 dias, mesmo diante da gravidade do caso.
A representação disciplinar no CNMP foi protocolada em 30 de setembro de 2026. A peça sustenta que os prazos legais para a manifestação sobre a notícia de fato já expiraram, período no qual o investigado disputou as eleições municipais e tomou posse como chefe do Executivo, passando a exercer comando direto sobre vínculos de trabalho locais. A petição alerta que a inércia compromete a coleta de provas testemunhais, expõe as vítimas e ignora relatos públicos de intimidações sofridas pelas vítimas.
Diante do quadro apresentado, o pedido cobra a notificação do promotor designado para apresentar informações em 15 dias úteis e a requisição de cópia integral e sigilosa dos autos à Procuradoria-Geral de Justiça. O documento requer ainda a fixação imediata de prazo para conclusão das diligências ou eventual encaminhamento à instância competente em razão do foro, além da deliberação plenária sobre a instauração de Processo Administrativo Disciplinar para apurar a conduta funcional.




