Operação foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (21) para apurar os crimes cometidos pela mineradora entre 1976 a 2019

As licenças ambientais concedidas à Braskem durante o governo Renan Filho são alvos de investigação pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Lágrimas de Sal, deflagrada na manhã desta quinta-feira (21). O material faz parte do conjunto de provas que está sendo coletado para elucidar os fatos referentes aos crimes cometidos pela mineradora por conta da exploração de sal-gema em Maceió entre 1976 e 2019.
De acordo com as investigações, as atividades de mineração desenvolvidas na capital alagoana não seguiram os parâmetros de segurança previstos na literatura científica e nos respectivos planos de lavra para garantir a estabilidade das minas e a segurança da população. Ainda de acordo com a PF, há indícios de dados falsos e omissão de informações relevantes aos órgãos públicos responsáveis pela fiscalização da atividade.
A Agência Nacional de Mineração (ANM) e o Instituto do Meio Ambiente (IMA), órgãos ligados, respectivamente, aos governos federal e estadual, parecem ter falhado na fiscalização da atividade da petroquímica. Para a concessão das licenças ambientais, era necessário que a Braskem fornecesse um relatório anual de suas atividades, com um monitoramento da região, o que não teria sido realizado, segundo alegação do Ministério Público Federal (MPF) em ação civil pública protocolada em 2019.
Vale lembrar que Renan Filho não é o único da família de alguma forma ligado ao caso. Seu pai, o senador Renan Calheiros, já foi presidente da então Salgema (hoje Braskem) em 1993 e 1994. O fato é que, mesmo quando os problemas de estabilidade das cavidades de sal e sinais de subsidência do solo acima das minas já estavam presentes, a empresa não parou suas atividades. Agora, a população aguarda que as investigações resultem na punição de todos os responsáveis para, ao menos, amenizar o pesadelo de mais de 60 mil pessoas que foram obrigadas a deixar suas casas, em virtude do afundamento do solo nos bairros do Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol.
Cerca de 60 policiais federais cumprem 14 mandados judiciais de busca e apreensão, sendo 11 em Maceió, dois no Rio de Janeiro e um em Aracaju, todos expedidos pela Justiça Federal de Alagoas. O nome da Operação “Lágrimas de Sal” é uma referência ao sofrimento causado à população pela atividade de exploração de sal-gema.




