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Empresário preso com R$ 270 mil em espécie dentro da Prefeitura de Murici tinha ligação com obras e visitou ministro Renan Filho antes da ação da PF

O empresário Diogo José Andrade Romão, de 37 anos, foi identificado pela Polícia Federal como o homem flagrado com R$ 270 mil em dinheiro vivo dentro da sede da Prefeitura de Murici, no interior de Alagoas. A prisão ocorreu na manhã desta quinta-feira (13), durante uma operação que surpreendeu servidores e revelou indícios de um esquema de pagamento de propina ligado a contratos públicos.

Natural de Maceió, Diogo é engenheiro civil e ficou conhecido na região após disputar, em 2024, a Prefeitura de Maraial (PE) pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Segundo fontes com acesso à investigação, ele mantinha contratos de engenharia e execução de obras em Murici — município governado por Remi Calheiros, aliado político do grupo do senador Renan Calheiros e do ministro dos Transportes, Renan Filho.

Durante a abordagem, os agentes da PF apreenderam o dinheiro em espécie e anotações manuscritas que indicam a possível distribuição de valores a agentes públicos ligados à administração municipal. Os papéis, conforme apuração preliminar, detalham repasse de verbas e nomes de beneficiários, o que reforça a suspeita de corrupção envolvendo obras financiadas com recursos federais.

Os valores e documentos foram encaminhados à perícia técnica, que deve confirmar a origem do dinheiro e sua eventual conexão com licitações e medições de obras executadas na cidade. A PF informou que o empresário foi conduzido à sede da corporação em Maceió, onde prestou depoimento, mas permanece em silêncio sobre a procedência dos recursos.

Outro ponto que chama atenção é que, dias antes da prisão, Diogo Romão esteve em Brasília, em uma audiência com o ministro dos Transportes, Renan Filho, para tratar de obras públicas e repasses federais. A reunião, registrada em agenda oficial, ocorreu em meio ao avanço das investigações sobre contratos suspeitos em Murici.

Até o momento, a Prefeitura de Murici não se pronunciou sobre o caso, e a defesa do empresário também não apresentou nota oficial. As investigações seguem sob sigilo, mas fontes ligadas à operação afirmam que novas prisões e quebras de sigilo bancário podem ocorrer nos próximos dias. A PF trabalha com a hipótese de que o caso seja parte de um esquema maior de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo obras públicas no interior de Alagoas.