
A divulgação de uma nova pesquisa do instituto Data Sensus sobre a avaliação do prefeito de Maceió, JHC, reacendeu um debate incômodo e recorrente nos bastidores da política alagoana: a confiabilidade dos levantamentos realizados pelo instituto e a independência de seu diretor, Eugênio, conhecido entre políticos e assessores como a “Mãe Dinah de Quebrangulo”. O apelido, embora irônico, resume a percepção de que suas pesquisas muitas vezes refletem menos a realidade eleitoral e mais os interesses de quem financia os estudos.
Desde que o levantamento veio a público, parlamentares, analistas e auxiliares de campanhas passaram a questionar abertamente a imparcialidade da pesquisa. O ponto central das críticas é a ligação funcional de Eugênio com a Assembleia Legislativa de Alagoas. Ele é servidor da Casa, subordinado direta ou indiretamente à estrutura do governo estadual e à presidência do Legislativo — uma posição que, segundo especialistas em comportamento eleitoral ouvidos pela reportagem, compromete a isenção necessária para a condução de pesquisas majoritárias. Em um cenário em que a disputa política se acirra e cada percentual divulgado pode influenciar estratégias, alianças e percepções públicas, a independência do instituto responsável pelo levantamento torna-se ainda mais crucial.
Nos bastidores, a avaliação é dura: a pesquisa reflete “a visão dos chefes e patrocinadores”. Isso significa, na prática, que os números apresentados podem servir mais como instrumento de narrativa do que como retrato fiel da opinião pública. Não é a primeira vez que o Data Sensus enfrenta questionamentos desse tipo. Em ciclos eleitorais anteriores, resultados divulgados pelo instituto contrariaram as projeções de outras empresas de pesquisa reconhecidas nacionalmente e, posteriormente, não se confirmaram nas urnas. A repetição desse padrão alimenta a desconfiança e reforça a impressão de que os levantamentos seguem uma lógica própria — e política.
A suspeita sobre o trabalho de Eugênio torna-se ainda mais evidente a partir de relatos de agentes políticos que afirmam que o diretor carrega para dentro do instituto a mesma perspectiva do governo estadual, o que colocaria o Data Sensus não como um observador neutro do processo eleitoral, mas como um ator inserido nele. Para analistas, a simples possibilidade de interferência já seria suficiente para desqualificar a credibilidade do levantamento, que deveria ser conduzido por instituições sem vínculo com estruturas de poder.
Em um momento em que as pesquisas se consolidam como ferramentas fundamentais para medir humores eleitorais, orientar campanhas e informar a sociedade, a falta de transparência e a suspeita de alinhamento político tornam qualquer resultado questionável. No caso do Data Sensus, o desgaste é ainda maior: o apelido de “Mãe Dinah de Quebrangulo”, embora jocoso, revela a percepção de um instituto que, em vez de medir a realidade, parece tentar antecipar — ou moldar — a vontade de seus aliados.




