Rui é o único ex-prefeito de capital que ocupa mandato de vereador no Nordeste. O nome dele não é mencionado nenhuma sondagem para este ano_
Em duas semanas a Câmara Municipal de Maceió volta do recesso, em um agitado ano eleitoral. Alguns nomes da Casa são cotados para disputar mandatos na Assembleia Legislativa ou até para deputado federal. Porém, Maceió chama a atenção por viver um caso único no Nordeste, com um ex-prefeito da capital exercendo mandato de vereador. Rui Palmeira, que chefiou o Executivo por dois mandatos, inicia seu segundo ano no parlamento em situação de grande desgaste, sem nenhuma relevância no plano estadual, perspectivas para novas disputas ou influência no município.
Herdeiro de uma tradicional família da política alagoana: o avô foi senador, o pai governador, prefeito, deputado federal e ministro do TCU, Rui iniciou a carreira como uma grande promessa da nova geração de políticos do Nordeste. Foi eleito deputado estadual aos 30 anos, em 2006. Em 2010 chegou à Câmara dos Deputados, onde cumpriu apenas metade do mandato, sendo eleito prefeito de Maceió em 2012. Rui foi reeleito em 2016, fazendo um segundo mandato extremamente mal avaliado. Em novembro de 2020, último ano de gestão, pesquisa divulgada pelo Ibope mostrou que Rui era reprovado por 59% dos maceioenses.
Rui decidiu se lançar na disputa pelo Governo de Alagoas em 2022. Sem conseguir apoios, não montou chapas competitivas para Aleal e Câmara Federal. Levou um grande revés, saindo das urnas na 4ª colocação, longe do segundo turno e atrás de Fernando Collor. No ano seguinte, aceitou ser secretário do governador Paulo Dantas, tendo pouco destaque na função.
*Sozinho-* O pior, porém, estava por vir. Em 2024 Rui apostou numa candidatura a vereador, para tentar retornar à cena política com uma votação expressiva. Por pouco não ficou fora, foi apenas o 18º entre os eleitos, com 5.498 votos, entrando na soma de votos.
Em seu primeiro ano, Rui concentrou esforços em atacar o prefeito JHC. Porém, ficou irritado com a Mesa Diretora quando suas contas, relativas ao exercício de 2020, foram questionadas. Decidiu ir à Justiça, alegando que o Legislativo não era transparente. Como resultado, foi completamente isolado na CMM.
O ex-prefeito começa 2026 sem perspectivas políticas. Não é sondado para nenhuma chapa majoritária, não tentará retornar à Assembleia ou à Câmara Federal. Nem mesmo para suplência de Senado chega a ser especulado. Rui não lidera blocos ou comissões importantes no legislativo municipal e deve perder a influência no PSD, pois o presidente nacional, Gilberto Kassab, negocia espaços majoritários para a legenda. Seu grande desafio é terminar o mandato sem o risco de se tornar um remake de Cícero Almeida.




