Uma frase dita por Renan Filho no início da última semana acabou expondo o novo centro da disputa eleitoral em Alagoas: a guerra por narrativa e presença digital.
“Campanha é assim, depois que começa não dá para parar. Por isso, quem não aguenta não deve começar antes”, declarou o emedebista em entrevista que rapidamente viralizou nas redes políticas do estado. Nos bastidores, a fala foi interpretada como uma provocação direta a JHC, do PSDB, que havia largado na frente ao promover uma grande movimentação no Sertão, no último dia 3 de maio.
A reação veio dias depois. Renan Filho iniciou, em 10 de maio, uma sequência de caravanas que percorreu mais de 30 municípios em apenas três finais de semana. Enquanto isso, JHC passou cerca de duas semanas sem agendas públicas no interior, até retomar o ritmo político diante do avanço do adversário.
Desde então, a pré-campanha entrou em outra fase: menos discurso e mais imagem.
Neste fim de semana, os dois grupos transformaram agendas políticas em material estratégico para redes sociais. De um lado, Renan Filho percorreu cidades como Penedo, Piaçabuçu, Feliz Deserto, Coruripe e São Miguel dos Campos, reunindo prefeitos, vereadores e grandes públicos. No domingo, esteve ainda em Capela, Cajueiro, Mar Vermelho e Arapiraca, onde uma agenda inicialmente institucional ganhou forte tom eleitoral.
As imagens passaram a abastecer intensamente o ambiente digital do MDB, numa tentativa clara de demonstrar capilaridade política e mobilização regional.
Do outro lado, JHC também intensificou a agenda no interior e ampliou a divulgação de vídeos e fotos nas redes. Parte desse conteúdo, porém, virou alvo de contestação de adversários.
Em Batalha, aliados do tucano circularam pela tradicional feira livre da cidade e divulgaram registros que transmitiam sensação de grande mobilização popular. Adversários reagiram afirmando que as imagens retratavam, na prática, o fluxo natural da feira.
Já em Porto Calvo, JHC participou de evento promovido por Kaika Filho, com sorteios de brindes do Dia das Mães e presença de lideranças como Gilvan Barros e Tenorinho Malta. Embora o foco aparente fosse o fortalecimento das chapas proporcionais, o encontro também serviu para ampliar a presença política do ex-prefeito na região.
O episódio rapidamente virou munição na disputa digital. Aliados do MDB acusam o grupo de JHC de tentar fabricar sensação artificial de multidão. Já interlocutores ligados ao PSDB afirmam que adversários trabalham para minimizar qualquer avanço político do tucano no interior.
No fundo, a disputa revela uma mudança na lógica eleitoral de 2026. Como observou o analista Emerson Saraiva, Renan Filho conseguiu reduzir a vantagem que JHC possuía nas redes sociais e equilibrar o jogo digital.
Agora, os dois lados enfrentam desafios distintos: Renan tenta converter estrutura política regional em engajamento online; JHC busca ampliar presença física no interior para equilibrar também o jogo presencial.
Porque, na eleição de 2026, multidão virou conteúdo. E conteúdo passou a valer como ativo eleitoral.




