Aliados históricos do grupo calheirista admitem, nos bastidores, que o senador Renan Calheiros pode ter sido “mal aconselhado” ao defender uma saída para tentar recuperar os recursos dos fundos previdenciários — entre eles o Iprev Maceió — atingidos pelo rombo envolvendo aplicações ligadas ao banco de Daniel Vorcaro.
Um interlocutor ouvido pelo blog afirmou que a intenção do senador “era boa”, ao buscar uma alternativa para reduzir os prejuízos de aposentados e pensionistas afetados pelas perdas bilionárias. Mas a avaliação está longe de ser consenso entre técnicos e operadores do mercado financeiro.
A principal crítica recai sobre a proposta de transferir ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a responsabilidade por um prejuízo que ultrapassa R$ 1,8 bilhão. O montante corresponde a recursos de aposentadorias e pensões de servidores públicos investidos em fundos considerados de alto risco e hoje classificados nos bastidores como “fundos podres” ligados ao universo do banco Master.
Na visão de especialistas, a medida não resolve o problema central: apenas desloca a conta para uma instituição criada para proteger correntistas e investidores em situações específicas de quebra bancária — e não para cobrir perdas decorrentes de operações financeiras de risco assumidas por fundos de investimento.
A resistência aumentou após o embate público entre Renan Calheiros e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ocorrido na semana passada. Galípolo classificou a ideia como uma “distorção sobre qual seja a finalidade do FGC”, sinalizando que o BC não vê respaldo técnico para a proposta.
Nos bastidores de Brasília e de Alagoas, o clima é de cautela. Há quem defenda que ainda há tempo para recuar antes que o episódio produza desgaste político maior. “A turma está de orelha em pé”, resumiu um aliado governista.
O caso reacende o alerta sobre o destino de recursos previdenciários aplicados em operações financeiras controversas e amplia a pressão para identificar responsabilidades no escândalo envolvendo o grupo de Vorcaro.
E, para muitos observadores da cena política alagoana, o desgaste já seria suficiente. “Já basta o pix de Rio Largo”, ironizou um interlocutor próximo ao governo.




