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A escola que o poder não paga

Há no jogo político uma lei tão antiga quanto impiedosa: o herdeiro que sobe rápido demais carrega consigo, como sombra inseparável, o peso da primeira queda. É a geometria clássica do poder — o que ascende por nome e por berço tende a encontrar, em alguma curva do caminho, a resistência que o esforço próprio nunca lhe ensinou a dobrar.

A jornalista Jana Braga faz a pergunta que muitos fazem em voz baixa nos corredores: estaria Renan filho sendo empurrado para sua primeira derrota política? A pergunta, diga-se, não é inocente. Perguntas assim raramente são. Elas chegam quando o cheiro de vulnerabilidade já circula pelos bastidores com a desenvoltura de quem se sente em casa.

Ora, pois. O sobrenome Renan carrega, em Alagoas e no Brasil, um peso de décadas — estratégias construídas tijolo por tijolo, alianças regadas com paciência e com o fino cálculo que só a experiência longa ensina. O filho herda o nome, herda a estrutura, herda a lealdade dos que serviram ao pai. Mas há o que não se herda: a cicatriz da derrota, que é, paradoxalmente, o maior patrimônio de um político que sobreviveu.

Maquiavel já advertia que o príncipe que nunca provou do veneno da adversidade tende a subestimar o inimigo que o serve com o cálice na mão. E no teatro da política brasileira, os que empurram raramente aparecem no palco. Trabalham nas coxias, ajustam as cordas, movem os contrapesos com luvas de veludo. Quem cai, cai sozinho, em cena aberta, diante da plateia.

A questão não é se Renan filho vai perder ou ganhar. A questão — esta, sim, de fôlego longo — é se ele está preparado para o que a derrota, caso chegue, costuma cobrar de quem ainda não aprendeu a língua áspera da política sem rede de proteção. Essa é a escola que nenhum sobrenome paga. E nenhum pai, por mais poderoso que seja, consegue cursar no lugar do filho.

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