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Enquanto a conta sobe, falta água para quem mais precisa

Na zona rural alagoana ainda é um o desafio o acesso a um direito básico: abrir a torneira e encontrar água
Durante visita ao município de Dois Riachos, nesta segunda-feira, o prefeito de Maceió e pré-candidato ao Governo de Alagoas, JHC, conheceu de perto uma realidade que ainda faz parte da vida de milhares de famílias alagoanas: a falta de acesso à água tratada.

No assentamento Boa Sorte, no povoado Pai Mané, ele esteve na casa de dona Irene e ouviu o relato de quem convive diariamente com a escassez de um serviço essencial.

Em um estado onde a tarifa de água aumenta ano após ano, o acesso ao serviço básico ainda está longe de ser uma realidade para todos. Dados oficiais mostram que mais de 800 mil alagoanos vivem sem abastecimento de água.

A desigualdade no acesso à água começa pela zona rural, onde cerca de 60% da população não é atendida. Nas áreas urbanas, a cobertura sobe para 81%. Ainda assim, Alagoas registra cobertura estadual de apenas 73,3%, abaixo da média dos estados vizinhos do Nordeste.

O cenário se agrava com outro dado preocupante: 66,9% da água tratada é perdida na distribuição, antes mesmo de chegar às torneiras da população.

Enquanto o acesso continua limitado, o custo do serviço aumentou. No fim de 2020, antes da operação da BRK em Maceió, a tarifa mínima de água (consumo de até 10 m³) era de R$ 49,70. Hoje, passou para R$ 76,40, uma alta nominal de 53%.

O peso da tarifa já era sentido há alguns anos. Em 2023, Maceió aparecia como a quarta capital brasileira com a água mais cara, atrás apenas de Salvador, Fortaleza e Porto Alegre. Na época, a tarifa média em Alagoas era de R$ 6,78 por metro cúbico.

— Rede de esgoto
Além da água, os indicadores de saneamento revelam um quadro de infraestrutura insuficiente. Apenas 22,3% da população é atendida por rede de esgoto. Na zona rural, esse índice cai para 3,3%, praticamente inexistente. A baixa cobertura faz com que a maior parte da população sequer tenha acesso ao serviço.

Os números ganham rosto no assentamento Boa Sorte, no povoado Pai Mané, em Dois Riachos. Ali vive dona Irene, de 47 anos, mãe de oito filhos e avó de 14 netos. Ela divide com a família uma casa simples de apenas dois quartos. A água não chega de forma regular.

“Quando a água acaba, vamos buscar no riacho, de água salgada (salobra)”, conta dona Irene. Na comunidade também faltam energia elétrica e atendimento médico.

Ao visitar a família, JHC voltou a criticar a situação do abastecimento no estado. “Está faltando água pra população e sobrando incompetência do Governo de Alagoas. Criaram o problema ao entregar o saneamento pra BRK sem pensar na qualidade do serviço. Pior: aumentou a conta. É muito descaso.”

Sem abastecimento garantido, cozinhar, tomar banho, lavar roupas e manter a higiene da casa dependem da pouca água que conseguem armazenar ou buscar. Enquanto milhares de famílias discutem o valor da conta, dona Irene enfrenta uma realidade ainda mais dura: não há água nem se pagar.

A história dela resume o principal desafio de Alagoas. O estado ainda convive com um déficit de mais de 800 mil pessoas sem acesso à água tratada, cobertura reduzida nas áreas rurais, perdas elevadas na distribuição e baixa oferta de esgotamento sanitário. Mais do que discutir tarifas, o desafio continua sendo garantir que a água chegue a quem ainda espera por um direito básico: abrir a torneira e encontrar água.

Assessoria PSDB/AL

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