A política alagoana tem dessas liturgias. Reuniões que parecem simples convenções partidárias, mas que guardam, nos seus cantos menos iluminados, a real substância do poder: a negociação ainda em aberto, o aceno que pode ou não vir, a presença que vale mais do que qualquer discurso.
É o que se passa neste domingo, em Maceió. Arthur Lira convoca seus prefeitos, seus vereadores, suas lideranças, para oficializar a Federação União Progressista e anunciar a própria candidatura ao Senado. O ritual é conhecido. Os palanques se erguem, os holofotes se acendem, os aliados se enfileiram. Tudo muito ordenado, tudo muito ensaiado.
Mas o que a plateia vai realmente observar não é o que está no roteiro. É a cadeira vazia — ou ocupada — de JHC.
O prefeito de Maceió, pré-candidato ao Governo do Estado, vem sendo o maior personagem desta convenção sem sequer ter confirmado presença nela. É o tipo de poder que só os atores principais exercem: o de definir o tom de um evento apenas mantendo a dúvida sobre se vão aparecer. Enquanto os articuladores calculam, os aliados especulam e os adversários aguardam, JHC segue alimentando o suspense com a economia de gestos de quem sabe que a escassez de sinais é, em si, uma linguagem política.
Lira, veterano no ofício de construir arquiteturas eleitorais, sabe melhor do que ninguém que convenção sem o desfecho do mistério é convenção incompleta. Organizou o palco. Arrumou as cadeiras. Fez os convites. Mas a cena que pode mudar o significado de toda a tarde é exatamente aquela sobre a qual ainda não tem controle. Há uma ironia aí — e ela não é pequena.
Ao fim do dia, a política alagoana terá uma candidatura formalizada, uma federação batizada e, talvez, uma resposta. Ou não. Às vezes, o silêncio de uma convenção diz mais do que todos os discursos nela proferidos.




