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Marcelo Victor e o pacto silencioso que garante ao Legislativo o controle do Estado

Há uma lógica antiga que rege a vida dos parlamentos, e ela pouco tem a ver com os nomes estampados nas faixas de campanha. Governadores vêm e vão. Candidatos prometem o céu e a terra. Mas a Assembleia Legislativa de Alagoas — como toda assembleia que se preza — trata de garantir que, qualquer que seja o inquilino do Palácio República dos Palmares, o endereço do poder real permaneça o mesmo.

É o que se passa nos bastidores da política alagoana, com uma clareza que dispensaria tradução, se não fosse tão bem disfarçada de pragmatismo. Deputados estaduais foram liberados para apoiar JHC ou Renan Filho conforme a conveniência de suas bases regionais — um arranjo que soa liberal na forma, mas é, no fundo, a expressão mais honesta do que sempre foi o mandato legislativo: sobrevivência organizada. O compromisso que de fato une os parlamentares não é com este ou aquele projeto de governo. É com a eleição da próxima Mesa Diretora, prevista para 2027, e com a preservação dos grupos que já estão consolidados dentro da Casa.

Marcelo Victor conduz esse equilíbrio com a maestria de quem sabe que fidelidade, na política, é um ativo que se guarda para quando o preço é justo. Paulo Dantas, ainda na cadeira do Executivo, participou do desenho desse acordo — o que revela menos ingenuidade do que parece: um governador que costura a independência do Legislativo está, ao mesmo tempo, garantindo que o Legislativo sobreviva a ele próprio, seja lá qual for o desfecho das urnas.

A peça mais reveladora desse xadrez foi a eleição do ex-deputado Bruno Toledo para conselheiro do Tribunal de Contas de Alagoas, em março deste ano. Não foi um gesto isolado. Foi a tradução prática de uma estratégia maior: expandir a presença do Legislativo nos órgãos de fiscalização e controle, colonizar os espaços onde o orçamento é vigiado e onde as contas do Executivo são julgadas. Quem controla a fiscalização não precisa temer tanto quem está sendo fiscalizado.

É um roteiro sem grande originalidade, porque não precisa ser original — precisa funcionar. O que os deputados alagoanos constroem agora, com a disciplina silenciosa de quem conhece o ofício, é uma espécie de mandato perpétuo do Legislativo sobre o Estado: independente das eleições, refratário às alternâncias, imune às promessas dos candidatos. O governador muda. A Mesa fica. E as emendas, essas então, continuam sendo o vocabulário com que o poder fala fluentemente, em qualquer gestão.

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