Há uma lei não escrita na política brasileira, tão velha quanto o Segundo Reinado e tão atual quanto a última eleição municipal: quem cresce incomoda. E quem incomoda, sofre o assédio organizado da redução — esse esforço coletivo, quase artístico, de aparar o que sobressai.
JHC está vivendo exatamente este momento. Enquanto costura, articula e consolida a chapa majoritária com a paciência de quem sabe que o tempo trabalhado com método vale mais do que o grito apressado, a oposição a ele se dedica a outra tarefa: a de diminuir, de encolher, de tentar convencer o eleitor e as lideranças de que o que parece grande é ilusão de ótica.
Não é.
Lideranças que hoje guardam silêncio — e que guardam por razão precisa, para não colher represálias antes da hora certa — já escolheram. Esse silêncio estratégico não é vacilo nem ausência. É a contenção de quem sabe que a voz, quando usada no momento errado, vira munição para o adversário. Quando o tempo for propício, elas falarão. E o farão com o peso de quem esperou.
A oposição confunde esse compasso com fraqueza. Engano que costuma sair caro. O protagonismo de JHC não depende de quem entra no jogo ao seu lado hoje — depende da arquitetura que ele mesmo vem construindo, tijolo por tijolo, articulação por articulação. Não há neste movimento a figura de quem aguarda um salvador externo. Há, ao contrário, a de quem já decidiu ser o centro da narrativa.
E narrativas centradas resistem melhor à tempestade do que aquelas que dependem de ventos favoráveis para avançar.




