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A geometria de JHC

A política alagoana sempre soube que, entre dois fogos, a melhor posição é o centro da praça — de preferência com guarda-chuva.

JHC, candidato ao governo de Alagoas num estado que respira lulismo até nas calçadas do sertão, enfrenta um daqueles dilemas que não se resolve com sinceridade, mas com geometria. Pedir voto para Lula afasta os bolsonaristas. Pedir voto para Flávio Bolsonaro acorda os lulistas. Ficar em silêncio é uma resposta, mas tem prazo de validade — e o prazo, em campanha, costuma vencer antes do previsto.

A solução que circula pelos corredores da coligação tem a elegância singela dos truques bem montados: apoiar a chapa presidencial do próprio Democracia Cristã, partido presidido pelo pai de JHC, João Caldas. Clariana Barão e Fabiana Torquato, candidatas à Presidência e à Vice, seriam o escudo perfeito — mulheres, do partido da família, e com a virtuosa vantagem de não ser nem Lula nem Bolsonaro. Um candidato que não escolhe entre dois adversários, mas apoia as próprias filhas políticas do pai. Há, convenhamos, certa simetria familiar no arranjo.

JHC ainda teria o argumento da pauta feminina, costurado com esmero: sua esposa Marina Candia concorre ao Senado, sua mãe Dra. Eudócia Caldas entra como primeira suplente. A narrativa se fecha como um quadro de família na sala de jantar — e a eleição presidencial some, discreta, atrás do porta-retrato. É o que os estrategistas chamam de saída e o que os adversários chamarão de esquiva. A diferença entre os dois nomes depende apenas do lado de quem olha.

Resta saber se os bolsonaristas de Alagoas — os de raiz, os que não transacionam — se contentarão com a explicação. Alguns já deixaram claro: só pedem voto pra JHC se JHC pedir voto pra Flávio Bolsonaro. É fidelidade com contrapartida, lealdade como moeda de troca. Não é injusto. É apenas a política sendo o que sempre foi: um mercado onde ninguém doa, todo mundo vende, e o preço se acerta na hora do aperto.

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