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A liga maior

Há um momento na vida de todo político ambicioso em que o mapa mental que ele carrega — com suas rotas seguras, seus atalhos conhecidos, suas curvas já decoradas — deixa de servir. O território muda. A escala aumenta. E o que funcionava num raio de quilômetros passa a exigir uma longitude que não se aprende nos mesmos manuais.

JHC está diante desse momento.

A sinalização que veio de Brasília, depois do encontro com Aécio Neves na cúpula do PSDB, não precisa de intérprete para quem habita o dialeto da capital federal. A candidatura ao governo de Alagoas não é mais especulação de corredor — é intenção em vias de tornar-se fato, aguardando apenas o timing da revelação, aquele instante em que as grandes decisões precisam parecer, aos olhos do público, inevitáveis desde sempre. Como se o destino, e não a articulação, as houvesse parido.

Mas aqui convém pausar o entusiasmo e fazer o inventário do que realmente está em jogo. Prefeitura de Maceió e Palácio Republica dos Palmares são endereços que pertencem a categorias distintas de ambição — e a distância entre eles não se mede em quilômetros, mas em adversários, em estrutura, em exposição e na dureza particular de um tabuleiro onde os erros raramente têm segunda chance. Quem sobe de liga sabe, ou deveria saber, que as peças ficam mais pesadas, o jogo mais longo e os golpes, menos anunciados.

A política alagoana tem arquivada em sua memória a silhueta de figuras que partiram grandes e chegaram menores. Não por falta de apoio nacional — esse, em geral, aparece nos momentos fotogênicos. Mas porque eleição se decide no miúdo: no interior que não vê comitiva, no reduto que não leu a nota de Brasília, no eleitor que não sabe e não precisa saber quem são os padrinhos. É lá, no espaço árido entre o anúncio e a vitória, que candidaturas se confirmam ou silenciosamente desmoronam.

Mas o voto se colhe em outro chão — e a arquitetura política local que dará sustentação real a essa candidatura, do começo ao fim, ainda aguarda ser construída tijolo a tijolo. A pergunta que fica suspensa, sem pressa de ser respondida, é justamente essa: além da vontade e do respaldo nacional, JHC tem a armação regional capaz de durar até o último dia de campanha? Porque entusiasmo de estreia a política alagoana já viu de sobra. O que ela ainda não cansa de cobrar é a resistência de quem chega ao fim.

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