Maceió []
Min: Max:
Pesquisar

Calheiros e Lira no Senado: o desejo de Lula ganha forma com a candidatura de Gaspar a vice de Bolsonaro Filho

Há movimentos na política que ninguém planeja, mas que, uma vez consumados, parecem ter sido cuidadosamente arquitetados por mãos invisíveis. O nome de Gaspar como vice de Bolsonaro Filho é desses. Involuntário, dizem. Talvez. Mas a involuntariedade, na política, raramente é inocente — e quase sempre serve a alguém.

Sirva, por exemplo, a Lula. O presidente havia revelado, sem cerimônias, o seu desejo: ver Calheiros e Lira no Senado. Pois bem. Com o tabuleiro que se formou, esse desejo caminha para se tornar realidade com a naturalidade de quem cumpre uma profecia anunciada. Davino e Fleming não são candidatos menores em caráter ou em substância — que fique dito, com clareza. Mas há diferenças que a retórica eleitoral não apaga: a diferença de peso político, de estrutura, de capilaridade, de décadas construindo alianças nos rincões onde o voto mora. Isso sem mencionar a conta bancária, que já é, por si só, uma bela diferença.

O que impressiona, no fundo, não é que o jogo esteja posto. É que esteja posto assim, tão às claras, com as peças no lugar antes mesmo do tiro de largada. A eleição ainda vai acontecer, as urnas guardam suas surpresas habituais, e seria imprudência decretar resultado antecipado com a arrogância de quem confunde análise com destino. Mas a probabilidade pesa — e pesa com a gravidade de quem conhece o terreno.

Resta saber o que Gaspar ganha nessa equação. Para ele, a candidatura a vice pode ser o degrau que faltava. Nas construções políticas mais bem-sucedidas, quem sobe não raro sobe de perfil, sem chamar atenção, enquanto o holofote ilumina o cabeça de chapa. O tempo dirá se foi astúcia ou apenas a fortuna que Maquiavel tanto recomendava saber aproveitar. Por ora, o que se vê é um salto — involuntário, dizem — que poderá provar-se, no fim das contas, o mais calculado de todos.

VEJA TAMBÉM