Montar uma chapa é o fácil. Qualquer partido com registro ativo e alguma caneta de indicação consegue preencher os espaços em branco de uma lista de candidatos. O difícil — e é aqui que a maioria tropeça antes mesmo de chegar às urnas — é construir uma composição que tenha lógica territorial, diversidade de perfis e candidatos com votos próprios. Não votos emprestados, não votos de fachada. Votos que aparecem nas urnas no dia seguinte ao fim da contagem.
O PSDB de Alagoas parece ter entendido essa distinção. A chapa que o partido armou para a Assembleia Legislativa não é apenas numerosa — é geograficamente distribuída, o que, em eleições proporcionais, vale tanto quanto o sobrenome. Tenorinho Malta chega com o Sertão na bagagem e a credencial de ex-prefeito de Inhapi. Lucas Barbosa carrega consigo a sombra protetora de Arapiraca e o capital político do pai, Lucas Barbosa. Léo Loureiro e Val Gaia trazem o ativo mais raro na política: a memória parlamentar, aquela que os eleitores de nicho cultivam com fidelidade quase litúrgica.
A projeção de quatro vagas é ambiciosa, mas não é delírio. Em eleições proporcionais, o resultado é sempre uma equação com muitas variáveis desconhecidas: o desempenho individual de cada candidato, o coeficiente eleitoral, a votação total da legenda e, não raramente, a sorte de um colega de chapa que puxa mais do que o esperado e carrega junto quem estava na iminência da seca. Quatro cadeiras dependem de tudo isso funcionar ao mesmo tempo, no mesmo dia, na mesma direção. Não é impossível. Só não é garantido.
O que o PSDB tem agora é algo que muitos partidos alagoanos trocam por conforto: estrutura para competir. A Casa de Tavares Bastos é palco de bancadas que definem agenda, liberam verbas e constrangem governos. Uma bancada de quatro deputados não governa sozinha, mas ocupa espaço, negocia com quem governa e existe onde outros simplesmente figuram. Entre figurar e existir, a política alagoana já fez essa distinção mais vezes do que os livros de história registraram.
O partido anuncia que quer mais do que preencher a chapa. Quer ganhar. Resta saber, durante os meses que vêm, se a unidade sobrevive à campanha — essa fase em que cada candidato olha primeiro para o próprio placar e só depois para a legenda. Se o PSDB conseguir que seus nomes compitam juntos em vez de competirem entre si, chega às urnas como adversário a ser levado a sério. Se não conseguir, terá apenas repetido o erro que os partidos médios cometem com regularidade desconcertante: montar a chapa e esquecer de montar o time.




