Há um gesto que os políticos veteranos reconhecem de longe: o de quem abandona o porto seguro não por imprudência, mas por cálculo. Alfredo Gaspar fez esse gesto na terça-feira, em Maceió, ao ter a candidatura ao Senado homologada pelo PL na convenção estadual da legenda. Ele mesmo admitiu, sem rodeios, que a reeleição para a Câmara seria o caminho eleitoralmente mais previsível. E, ainda assim, escolheu o outro.
Não é pouca coisa. A Câmara é conforto, mandato curto, distrital proporcional que perdoa derrapagens e premia fidelidades de bairro. O Senado é aposta maior, risco maior, palco diferente. Quem sobe essa escada sem a garantia do degrau seguinte está dizendo alguma coisa sobre si mesmo — ou sobre o que acredita que o momento permite.
O candidato apresentou credenciais: Ministério Público, Secretaria de Segurança Pública, Câmara Federal. É o currículo de quem transitou pelas instituições sem se fixar definitivamente em nenhuma delas, o que pode ser lido como versatilidade ou como inquietação — dependendo de quem lê. Em política, as duas interpretações convivem com naturalidade desconcertante.
As alianças, porém, seguem em aberto. As articulações que irão compor a chapa devem ser concluídas até 15 de agosto, prazo final das convenções. Até lá, o cenário permanece, nas palavras do próprio Alfredo, “em construção” — eufemismo elegante para dizer que há conversas, promessas, resistências e silêncios que ainda não encontraram a forma definitiva. A política alagoana conhece bem essa geometria variável.
A convenção recebeu ainda a presença simbólica de Flávio Bolsonaro, em vídeo, endossando a candidatura. É o tipo de apoio que ilumina certas janelas e fecha outras, sinalizando ao eleitorado de qual latitude ideológica parte a empreitada. O PL nacional fez sua aposta. Agora é o tempo das alianças que dirá se ela foi generosa ou tímida demais para o que Alagoas exige em 2026.




