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Do cotado ao declarado: Alagoas define chapas e adversários para 2026

Há uma lei não escrita na política brasileira, tão antiga quanto os próprios partidos: a indefinição é poder. Enquanto o nome não está lançado, o candidato vale tudo — é governador, é senador, é vice, é o que a imaginação do interlocutor quiser que ele seja. O momento em que assina a ficha é também o momento em que começa a encolher. Pois bem. Alagoas chegou a esse momento. A quarta-feira de hoje encerra o prazo para as convenções partidárias, e com ele se encerra também o longo carnaval de especulações que tomou os bastidores alagoanos por meses. JHC, o prefeito de Maceió que soube como ninguém cultivar a ambiguidade — ora governador, ora senador, sempre indispensável —, terá de abandonar a confortável posição de quem joga sem revelar as cartas. A indefinição, que até ontem era estratégia, vira, a partir de hoje, omissão. O tabuleiro exige peças nos lugares. E peças paradas não ganham partidas. A mesma aritmética vale para Davi Davino Filho. O parlamentar vive há semanas naquele limbo privilegiado que a política reserva aos nomes cotados: são chamados a todas as reuniões, consultados sobre todas as alianças, cortejados por todos os lados — exatamente porque ainda não decidiram nada. Senado ou vice-governadoria? A resposta de hoje não é apenas uma escolha de cargo; é uma declaração de onde ele quer estar quando o pó da batalha baixar. E há as perguntas que ninguém responde sozinho: quem caminha ao lado de Renan Filho? Quem compõe a chapa caso JHC mergulhe na disputa pelo governo? Essas escolhas de vice — sempre tratadas como secundárias pelos analistas apressados — são, na prática, o esqueleto das alianças. Definem quem foi contemplado, quem foi preterido, quem deve favor e quem guarda ressentimento para o segundo turno. A política alagoana acorda hoje diferente, portanto. Não melhor, não pior — diferente. Com nomes, com chapas, com adversários declarados. A névoa que cobria 2026 começa a dissipar, e o que emerge daqui por diante não é mais especulação: é disputa.

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