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Na última hora, oposição de Alagoas registra chapa com JHC, Célia Rocha, Arthur Lira e Marina

O calendário eleitoral tem uma virtude cruel: ele força a decisão dos indecisos. Em Alagoas, foi preciso chegar ao último dia do prazo para que João Henrique Caldas, o JHC, confirmasse o que todos já suspeitavam e ninguém havia tido a paciência de aguardar com calma. A candidatura ao Governo do estado saiu da gaveta das especulações e foi protocolada à Justiça Eleitoral num sábado, com a urgência de quem lembra do compromisso no instante em que a porta está fechando.

Há, nessa geometria apressada, uma narrativa inteira sobre o temperamento da oposição alagoana. Chapas não se constroem no último suspiro por excesso de organização. Constroem-se assim quando os acordos levaram tempo demais para secar, quando os nomes circularam entre conversas e recuos antes de pousar, enfim, no papel oficial. JHC chega à largada com Célia Rocha como vice — uma liderança de Arapiraca, com enraizamento no Agreste — e com Arthur Lira e Marina JHC disputando as duas vagas ao Senado. A composição está montada. A questão, daqui por diante, é saber se foi montada com argamassa ou com promessas.

Arthur Lira é o nome de maior peso específico nessa equação. Deputado federal de longa data, presidente que foi da Câmara, ele desce ao Senado num movimento que pode ser lido como ambição renovada ou como reposicionamento estratégico — a diferença, em política, costuma ser apenas uma questão de resultado. Ao lado dele, Marina JHC fecha a composição com nome de família, aquele tipo de candidatura que carrega embutido um recado de continuidade e de identidade de grupo. Os suplentes anunciados — incluindo a senadora Dra. Eudócia Caldas e o vice-governador Ronaldo Lessa — revelam a largura da rede tecida para sustentar essa disputa.

O que Alagoas verá a partir de agora é uma eleição que começa, de fato, depois de ter começado tarde. A chapa está registrada, os nomes estão nos documentos, o prazo foi cumprido com a folga de quem atravessa a linha de chegada sem fôlego. Se essa corrida contra o relógio era sintoma de dificuldade ou apenas de estilo, as urnas de 2026 terão a resposta. O calendário, esse árbitro implacável, já deu o seu.

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