A política alagoana ensaia, neste momento, um daqueles jogos de cadeiras em que a música para antes que todos se acomodem — e alguém, inevitavelmente, fica de pé.
A convenção da Federação União Progressista confirmou Arthur Lira para o Senado. Simples assim, direto assim. Mas o silêncio que se seguiu ao anúncio foi mais eloquente do que qualquer discurso de palanque: não havia candidato ao Governo. A cadeira vazia no centro do palco disse mais do que os microfones abertos.
Lira já avisou, sem rodeios, que o PSDB pleitear uma vaga de governador e outra de senador é coisa “inacessível”. É a linguagem da aritmética política — fria, precisa e sem apelação. JHC, por sua vez, precisa de tempo de rádio e televisão, e tanto o PL quanto a federação de Lira têm esse ativo de sobra. Sem um deles ao lado, o prefeito de Maceió entra na disputa como um navegante de longo curso que esqueceu de colocar combustível no barco.
O dilema tem a crueldade de uma equação sem solução elegante. Se JHC fechar com Gaspar, Lira sobra. Se fechar com Lira, Gaspar sobra. E se insistir em reservar duas vagas majoritárias para o próprio grupo, corre o risco de ser ele mesmo o excluído — ironia que Maquiavel reconheceria como a mais clássica das armadilhas do príncipe ambicioso demais.
As convenções encerram no dia 5 de agosto. As negociações seguem até o dia 15 — data-limite para o registro de candidaturas. Dez dias que valem uma eleição inteira. Nesse intervalo, a grande pergunta que paira sobre Alagoas não é quem vai ganhar, nem quem vai perder. É mais simples e mais cruel do que isso: quem vai sobrar?




