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Semideuses e candidatos

Há uma aritmética cruel na política que nenhum carisma consegue driblar indefinidamente. JHC pode cultivar a pose de quem paira acima das contingências — e ele a cultiva com notável elegância —, mas a geometria eleitoral não perdoa lacunas. Aliados não são adereço. São coluna vertebral.

O interior é um país à parte. Nesses rincões onde a política se faz no abraço, no compadrio, no churrasco de fim de semana com o prefeito local, ninguém chega longe apenas com a própria sombra como escolta. Cada município tem seu dono, cada voto tem seu preço de lealdade, e a moeda corrente dessa transação raramente é a simpatia pessoal do candidato. É a rede. A teia fina e invisível que conecta quem decide com quem entrega.

É aqui que entra Arthur Lira — e a geometria se complica de maneira interessante. Pode até ser verdade que o ex-presidente da Câmara não tenha entregado ao ex-prefeito de Maceió uma única prefeitura dentre tantas que mantém sob sua influência. JHC certamente sabe disso, e certamente o anuncia com o desdém de quem não quer parecer necessitado. Mas saber o preço de um recurso não é a mesma coisa que poder dispensá-lo. Lira permanece sendo o tipo de personagem que, na equação de uma campanha ao governo do estado, faz uma diferença que não cabe numa nota de rodapé.

A questão não é se JHC gosta ou não gosta dessa dependência. A questão é se ele consegue vencer sem resolvê-la. Semideuses não prestam contas à geografia nem ao calendário eleitoral. Candidatos, sim.

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