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Xeque sem mate

Há uma cena clássica naquele tipo de teatro de bonecos em que dois personagens se espreitam pela mesma janela, cada um esperando que o outro apareça primeiro para dar o salto. O público ri. Os bonecos, não — porque cada um acredita, com a fé dos determinados, que a pausa é estratégia, não hesitação.

É mais ou menos isso o que se passa entre JHC e Renan Filho. Um jogo de “gato e rato” — e os dois disputam o papel do gato. Objetivamente: um esperando pelo outro. A cena tem até uma data de validade impressa na embalagem, o dia 15 de agosto, quando a ata final precisará ser entregue à Justiça Eleitoral. Até lá, o silêncio é moeda e a indefinição, tática.

Renan Filho ainda alimenta a tese de que JHC pode virar para o Senado Federal — e a repete com a convicção de quem precisa que a profecia se cumpra para que seus próprios cálculos fechem. É compreensível. Uma eventual candidatura ao Senado pelo ex-prefeito abriria espaço, redefiniria tabuleiro, redistribuiria as peças. Mudaria tudo.

O problema é que os sinais, por enquanto, não apontam para essa virada. E quem aposta fichas pesadas num cenário que os fatos insistem em desmentir corre o risco de acordar no dia 16 de agosto com uma estratégia brilhante para um tabuleiro que já não existe.

O que se pode dizer, com alguma precisão, é que a situação é inédita por essas bandas. Não é pouco. Políticos experientes sabem que o inédito costuma reservar surpresas para os dois lados — e que janelas de teatro de bonecos, quando as cortinas caem, revelam sempre quem estava, de fato, no controle da cena.

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