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Dois funcionários de empresa do governo de AL são flagrados com R$ 2 mi em dinheiro vivo em carro

 

 


Dois homens, dois milhões em espécie dentro de um carro, e uma empresa que ilumina estádio. O enredo parece simples demais para ser apenas coincidência — e complicado demais para ser apenas iluminação.

A Ceilurb, razão social Vasconcelos e Santos Ltda., presta serviços ao Governo de Alagoas. Um dos contratos é a manutenção da iluminação do Estádio Rei Pelé, aquele que carrega o nome do maior jogador que o país já produziu. Há uma ironia cruel nisso: o homem que deu nome à arena foi chamado de rei por eleição universal, pelo talento que não se contesta. O dinheiro que circulava ali, ao que tudo indica, chegou ao poder por outros méritos, mais discretos e menos públicos.

O flagrante ocorreu num momento de rara precisão: a Rotam abordou o veículo logo após um dos funcionários deixar uma agência bancária no Farol, em Maceió. Não foi um acaso. As informações partiram da Secretaria de Segurança de Sergipe, foram compartilhadas com Alagoas, e o resultado foi esse — duas prisões, aproximadamente dois milhões apreendidos, e a revelação de que saques anteriores, de um milhão cada, já haviam sido realizados pelo mesmo homem. Some-se a isso o fato de que o Governo de Alagoas já havia pago à empresa mais de dois milhões e trezentos mil reais. Os números começam a conversar entre si de um jeito que incomoda.

Há um velho princípio contábil, anterior a qualquer auditoria moderna, que diz simplesmente: o dinheiro não desaparece, ele vai para algum lugar. Quando ele aparece em espécie, dentro de um carro, em pacotes — é porque alguém preferiu que ele não deixasse rastro. O rastro, porém, foi deixado de outra forma: pela própria grandiosidade da quantia, pelo automatismo de quem repete a operação como rotina, pela confiança excessiva de quem se acostumou a não ser incomodado.

O que a investigação revelará a seguir, ainda não se sabe. Mas o que já se sabe é suficiente para que Alagoas faça a pergunta que qualquer governo honesto faria a si mesmo: quem autorizou, quem sabia, e por quanto tempo esse ciclo girou sem que ninguém acendesse uma única luz?

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