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Maturidade no palanque

Aos 73 anos, Célia Rocha descobriu o que muitos políticos levam uma vida inteira para aprender — e alguns jamais aprendem: que o coração, sem bússola, pode ser o pior dos conselheiros num palanque.

A veterana alagoana, conhecida por imprimir emoção em cada gesto, em cada abraço, em cada lágrima calculada ou sincera diante de uma plateia, decidiu nesta campanha que a emoção pode ter endereço. Que há lugares para o calor e lugares para o cálculo. Que a mesma mulher que chorava em Arapiraca pedindo votos para os filhos de Luciano Barbosa pode, sem contradição, chegar a Girau do Ponciano e a Palmeira dos Índios como uma articuladora fria, distribuidora de palanques, gerenciadora de lealdades regionais.

É, na linguagem dos estrategistas de campanha que vivem de fórmulas: a razão orienta o projeto, a experiência sustenta o discurso e o coração aproxima das pessoas. Bonito assim, soa quase uma máxima de manual de autoajuda político. Na prática, o que significa é mais simples e mais revelador: Luciano Barbosa, o político que Célia lançou na vida pública, ficou — ao menos na fala — circunscrito a Arapiraca. Uma contenção geográfica do afeto, um carinho com cercas.

Não é cinismo. É sobrevivência. A chapa com JHC tem uma batalha maior à frente, e os Calheiros não são adversários que se despacem com discurso sentimental. Nesse tabuleiro, cada peça precisa ocupar a casa certa. Célia aprendeu que liderança regional não se constrói com um único nome ecoado por todo o estado — constrói-se nomeando quem já tem raiz em cada chão.

O que se vê, portanto, não é exatamente uma nova Célia Rocha. É a mesma Célia, porém mais bem arrumada por dentro. Uma política de 73 anos que, depois de décadas nesse ofício implacável, descobriu que maturidade não é apagar a emoção — é saber a hora de guardá-la no bolso.

Não é cinismo. É sobrevivência. A chapa com JHC tem uma batalha maior à frente, e os Calheiros não são adversários que se despacem com discurso sentimental. Nesse tabuleiro, cada peça precisa ocupar a casa certa. Célia aprendeu que liderança regional não se constrói com um único nome ecoado por todo o estado — constrói-se nomeando quem já tem raiz em cada chão.

O que se vê, portanto, não é exatamente uma nova Célia Rocha. É a mesma Célia, porém mais bem arrumada por dentro. Uma política de 73 anos que, depois de décadas nesse ofício implacável, descobriu que maturidade não é apagar a emoção — é saber a hora de guardá-la no bolso.

fonte: Cada Minuto

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