Maceió []
Min: Max:
Pesquisar

Pesquisas colocam Marina JHC e JHC como alternativas reais ao establishment eleitoral

Há momentos na política em que os números dizem mais do que os discursos. Marina Silva e JHC surgem nas pesquisas eleitorais com um desempenho que não pode ser lido como mero acidente estatístico. É sinal. Aviso. O tipo de dado que os estrategistas de campanha releem três vezes antes de dormir.

O eleitorado brasileiro, quando não está sendo levado a reboque pelos partidos grandes, demonstra uma capacidade notável de farejar alternativas. Não por amor à novidade em si, mas por esgotamento das velhas ofertas. E é nesse espaço — o espaço do cansaço alheio — que Marina e JHC trabalham, cada um com sua geometria própria, cada um com sua aposta de que o ciclo dos nomes consagrados tem data de validade.

O desempenho nas pesquisas alimenta a campanha, e a campanha, por sua vez, alimenta as pesquisas. É uma espiral que os candidatos menores conhecem bem: difícil de iniciar, quase impossível de parar quando engrenada. O que ambos parecem ter conseguido é exatamente isso — dar a primeira volta da manivela. O motor roncou. Se vai pegar, só o calendário dirá.

Resta saber se o espaço que os números apontam é estrutural ou conjuntural. Se é solo fértil ou espelho d’água — aquele que parece chão firme até que os pés afundam. A história eleitoral brasileira guarda cemitérios inteiros de candidaturas que explodiram nas pesquisas do segundo semestre anterior ao pleito e definharam quando os holofotes se acenderam de verdade. O eleitor, aqui, é um ser de humores complexos.

Por ora, o que se pode dizer é que a campanha de ambos ganhou um argumento que o dinheiro não compra e o marqueteiro não fabrica: a legitimidade dos números. E na política, como no mercado financeiro, nada atrai investidores — leia-se aliados, doadores, militantes — como a perspectiva de estar do lado de quem está subindo.

VEJA TAMBÉM