BTG paga por uma pesquisa; mas elogia a do vizinho
Tem coisa no mercado político que só se explica rindo.
O BTG banca o Nexus. Paga, contrata, encomenda, divulga. E, na hora de olhar para o painel e dizer no que acredita, valoriza o Paraná Pesquisas.
Pense comigo, leitor: você contrata um cozinheiro, paga o salário dele em dia, senta à mesa — e come no restaurante da esquina. O que isso diz do seu cozinheiro?
Pior: o que isso diz de você?
Banco não faz gentileza. Banco faz conta. Se um banco põe dinheiro num instituto de pesquisa, é porque quer um número no qual possa confiar para orientar quem o ouve. Pesquisa, para o mercado, não é curiosidade de almoço — é insumo. É o que ajuda a decidir risco, prazo, aposta.
Então por que pagar por um termômetro e consultar o outro?
Há duas respostas possíveis, e nenhuma das duas é elogiosa.
A primeira: o instituto bancado não está entregando o que se esperava dele. Nesse caso, o problema é do contratado, e a conta deveria ser revista.
A segunda, mais interessante: o instituto bancado entrega números que não agradam. E aí o problema não é do contratado — é de quem contratou. Porque quando o patrocinador começa a escolher a pesquisa pelo resultado, e não pela metodologia, ele deixou de medir a realidade e passou a procurar um espelho simpático.
Já vi esse filme em muita eleição. O político encomenda a pesquisa, recebe o número ruim, engaveta, e sai citando a do adversário quando a do adversário lhe convém. É velho como a política. A novidade é ver um banco de investimento fazendo o mesmo papel.
Quem trabalha com pesquisa sabe que cada instituto tem método próprio. Comparar levantamento de um com levantamento de outro é comparar régua com balança. Só faz sentido acompanhar a série de um mesmo instituto ao longo do tempo. Quem salta de um para outro conforme o humor não está lendo o eleitorado: está escolhendo a notícia que quer dar.
E nisso o BTG virou personagem da história que pretendia apenas financiar.
Fica a dúvida para os clientes, para os analistas e para os políticos de Alagoas que leem esses números como quem lê boletim médico: afinal, em qual dos dois o próprio patrocinador acredita?
Quem paga a pesquisa e cita outra já respondeu.




