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Governista por vocação

 

Há parlamentos que nascem para fiscalizar e há parlamentos que nascem para acompanhar. A Casa de Tavares Bastos, segundo quem conhece seus corredores de cor, pertence à segunda espécie: “a Assembleia é governista por vocação”. A frase tem a secura de um diagnóstico e a comodidade de uma profecia — porque anuncia o que já estava escrito antes mesmo de alguém abrir o envelope.

Daí a serenidade com que se recebe a notícia de que JHC não encontrará pela frente uma oposição ferrenha. Não encontrará porque não há de onde ela brotar. Sobram, no balanço de quem faz as contas, os petistas Ronaldo Medeiros e Teca Nelma — dois, portanto, num plenário inteiro. Oposição de dois é testemunho histórico, não é adversidade. Serve para que amanhã se possa dizer que houve quem falasse.

O capítulo mais saboroso, contudo, é o de Marcelo Victor. Presidiu a Casa, exerceu influência sobre os colegas, cultivou laços com os demais poderes e, durante cinco anos, teve voz dentro do Palácio. Agora entra numa fase delicada: a de continuar pesando sem continuar mandando. É uma aritmética difícil, essa de conservar o prestígio depois de devolver a chave. Poucos conseguem. Quase todos tentam.

E a nova Mesa, com Nezinho na presidência, aquela que tantos já apostavam ser o foco da resistência? Também não será de oposição, garante o informante. A conclusão vem embrulhada numa sentença que vale por um tratado de ciência política alagoana: “É evidente que uma boa conversa ajuda a todos, entendido?”

Entendido. Entendido há muito tempo, aliás. Entre nós, a boa conversa nunca foi preâmbulo do acordo — ela é o próprio acordo, dito em voz baixa e selado antes da votação. O resto é pauta.

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