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Presidentes passam, o Brasil fica

Dia de urna é o único dia em que o país inteiro se iguala. O banqueiro e o pedreiro, o doutor e o ajudante de pedreiro entram na mesma cabine, apertam os mesmos botões e saem com o mesmo dedo sujo de tinta. Dura pouco, essa igualdade. Mas dura.

Hoje o Brasil decide seu futuro nas urnas. E é bom que se diga, sem floreio: o resultado, qualquer que seja, não vem acompanhado de milagre. Quem vencer herdará um país que precisa de saúde que funcione, de escola que ensine, de emprego que pague, de rua onde se possa andar e, antes de tudo, de comida na mesa — aquela mesa concreta, de madeira gasta, onde a conta do mês não fecha. É esse o programa de governo que interessa, e ele não está em nenhum palanque: está na cozinha das casas.

O que se viu nestes meses, contudo, foi outra coisa. Viu-se a política transformada em disputa de torcida, com o adversário rebaixado à condição de inimigo e a conversa de mesa de almoço convertida em campo minado. Amizades de décadas desfeitas por uma postagem. Famílias que deixaram de se visitar. Há quem tenha achado isso engajamento. É apenas empobrecimento.

Nosso compromisso, no Quarto Poder Alagoas, sempre foi um só: informar. Levar o acontecimento até o leitor sem escolher lado, sem vestir camisa, sem fazer da notícia instrumento de ninguém. Direita, centro ou esquerda — todas as opiniões merecem respeito, e o jornalismo que começa a distribuir razão antes de distribuir fato já deixou de ser jornalismo.

Vote com consciência. Vote naquilo em que acredita, e não naquilo que lhe mandaram acreditar. Depois, volte para casa e cumprimente o vizinho que votou diferente, porque pensar diferente não torna ninguém inimigo de ninguém.

Presidentes passam. Governos mudam. O Brasil é que não tem substituto, nem data de validade, nem segundo turno. Que vença a democracia e que prevaleça o respeito — o resto se discute amanhã, como sempre se discutiu.

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