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A arte de enganar o inimigo

Apostando em uma jogada arriscada, dupla MV/PD pode repetir estratégia da eleição-tampão em 2026

Nos bastidores da política alagoana, uma articulação complexa começa a ganhar corpo, lembrando a manobra que levou Paulo Dantas (MDB) ao governo em 2022. A dupla de articuladores políticos MV e PD, conhecida por sua influência e habilidade em movimentar peças no xadrez eleitoral, estaria desenhando uma nova jogada para 2026, apostando em uma candidatura-tampão como porta de entrada para garantir a continuidade de seu projeto de poder.

De acordo com informações apuradas pelo portal Quarto Poder Alagoas, o ex-governador Ronaldo Lessa, atualmente fragilizado por problemas de saúde, poderia ser convencido a disputar uma cadeira de deputado estadual. A movimentação teria como objetivo oferecer ao veterano político uma saída honrosa da vida pública, encerrando sua trajetória de forma digna, compatível com a história construída ao longo de décadas.

Paralelamente, o nome do deputado Luciano Amaral surge como peça-chave na engrenagem. A estratégia cogitada prevê que Amaral renunciaria ao mandato atual para se lançar candidato a governador-tampão, em moldes semelhantes ao que ocorreu com Paulo Dantas. A legislação eleitoral permite tal movimento e, com o apoio decisivo dos padrinhos políticos MV e PD, Amaral teria condições de vencer a disputa e, uma vez no cargo, concorrer à reeleição em 2026 já com a máquina estadual sob seu comando.

Analistas destacam ainda que Luciano Amaral possui baixa rejeição no Sertão, fator que pode ser decisivo na consolidação de uma candidatura robusta. A jogada, apelidada nos bastidores de “Kansas City” — referência a uma estratégia clássica que consiste em apontar para um lado e ir para outro — revela a desconfiança da dupla em relação ao chamado “Acórdão de Brasília”, já que MV e PD não estariam dispostos a confiar totalmente nem em JHC nem em Renan Calheiros. Além disso, estaria em gestação uma chapa competitiva no PSD, com nomes de peso para fortalecer o projeto.

A operação, se confirmada, representaria mais uma prova da engenhosidade política dos articuladores, que raramente erram em suas previsões e movimentos. Até abril de 2026, o tabuleiro ainda pode mudar, mas a expectativa é de que marqueteiros e estrategistas trabalhem intensamente para transformar essa possível jogada em realidade.

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