Há políticos que constroem impérios com a paciência de quem tece renda — fio a fio, aliança a aliança, sem pressa e sem alarde. JHC é desse tipo. Foi assim que reuniu, num mesmo tablado, Arthur Lira, Alfredo Gaspar, Fabio Costa, Marx Beltrão e Davi Filho. Foi com essa perspicácia de artesão fino que costurou o PSDB com o aval de Teotônio Vilela Filho, convenceu Luciano Barbosa a filiar Lucas Barbosa, dobrou Rodrigo Cunha ao ponto de aceitar um vice e fez da Dra. Eudócia senadora, como quem planta uma bandeira no alto de uma colina e sorri discretamente para a paisagem lá embaixo. Os 91% dos maceioenses que o reelegeram são a moldura dourada desse quadro.
Mas o artesão, desta vez, toca o tear e a linha não enrola. Três tentativas — cada uma mais emblemática que a anterior. Na primeira, no dia 1º de junho, JHC propôs a Arthur Lira a dobradinha com a Dra. Eudócia. Lira disse não. Na segunda, o mesmo balão foi soltado diante de Davi Filho — e o Republicanos, com Antônio Albuquerque como árbitro invisível, vetou sem cerimônia. Na terceira, e mais reveladora, Alfredo Gaspar foi o interlocutor escolhido, agora com Marina Candia como nome para o Senado. Alfredo, impassível, reafirmou o compromisso com Arthur. O elo se recusou a partir.
Três tentativas, três nãos. Em leilão, já seria hora de baixar o martelo. Em política alagoana, ainda não.
O nó mais barulhento desta história atende pelo nome de Kelmann Vieira. É ele o abacaxi — e não o tipo adocicado — que complica a geometria da chapa federal que JHC precisa montar, enquanto ainda confirma as candidaturas ao Governo e ao Senado. Kelmann vencer uma disputa contra o MDB, a esta altura do campeonato, diria muito sobre o tamanho real das peças neste tabuleiro. Às vezes, um único nome fora do lugar é o suficiente para deslocar o centro de gravidade de toda uma arquitetura cuidadosamente erguida.
Ora, pois. Quem acompanha JHC de perto sabe que ele tem o hábito incômodo de surpreender quando menos se espera. O artesão que teceu tantos fios sem que ninguém percebesse o desenho final talvez guarde o lance definitivo na manga — ou, quem sabe, no bolso do colete, onde os estrategistas de verdade costumam esconder os trunfos que ninguém viu. Resta saber se, desta vez, a paciência do tecelão será mais veloz que o relógio do calendário eleitoral.




