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Eudócia confronta Renan: senador troca CPI por grupo de trabalho e levanta suspeitas

Há momentos na política em que o silêncio fala mais alto do que qualquer discurso. E o silêncio de Renan Calheiros diante da CPI do BGM-Master é daqueles que retumbam — carregados de subtexto, de interesses não declarados, de uma geometria de proteções que o senador alagoano conhece como poucos.

A senadora Dra. Eudócia não tem se contentado com o mutismo. Foi ao plenário, foi às redes sociais, foi ao regimento interno — esse velho arsenal do parlamentar que conhece as regras e não aceita que as torçam. E o que ela encontrou, no lugar de um posicionamento, foi a engenhosidade clássica do experiente: a proposta de um grupo de trabalho onde deveria haver uma CPI. A diferença, para quem não acompanha de perto, pode parecer burocrática. Não é. É a diferença entre a luz e a sombra, entre o poder de intimar e o poder de procrastinar.

Maquiavel ensinava que o príncipe hábil nunca confronta de frente o que pode contornar. A manobra regimentalmente duvidosa — segundo a própria senadora, antirregimental — de criar uma comissão paralela que esvazie os poderes investigativos da CPI tem a marca digital de quem aprendeu cedo que o desvio pelo corredor lateral costuma ser mais seguro do que a porta principal. Calheiros, diga-se, não é homem de primeiras lições.

O problema, quando a trama envolve aposentados e pensionistas do INSS, é que o eleitorado atingido tem rosto, tem endereço e tem memória longa. Eudócia colocou o dedo na ferida ao nomear Daniel Vorcaro e ao perguntar, em voz alta, se o senador teria razões íntimas para não assinar a CPI. A pergunta ficou no ar do plenário como aquelas frases que não precisam de resposta para serem respondidas.

Assinar ou não assinar. Eis o que separa o estadista do estrategista de si mesmo. Até lá, o silêncio de Renan Calheiros continuará sendo, como sempre foi, um documento político dos mais eloquentes.

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