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Governo de Alagoas direciona quase R$ 100 milhões a empresa de limpeza terceirizada enquanto a saúde pública afunda em denúncias de caos

Em um momento em que o sistema de saúde de Alagoas enfrenta um dos cenários mais críticos dos últimos anos — com denúncias de falta de insumos básicos, enfermarias superlotadas e profissionais da enfermagem protestando por direitos trabalhistas — o Governo do Estado destinou, silenciosamente, quase R$ 100 milhões a uma única empresa terceirizada de limpeza hospitalar somente em 2025. Os dados do Portal da Transparência mostram que R$ 99,2 milhões foram pagos à Reluzir Serviços Terceirizados entre janeiro e outubro deste ano, elevando ainda mais a pressão sobre a gestão estadual, que tenta justificar a crise alegando falta de recursos.

Desde o início da administração de Paulo Dantas (MDB), em 2023, os repasses à Reluzir somam R$ 287,7 milhões, dos R$ 293,1 milhões já empenhados — cifras que, por si só, evidenciam a centralidade da empresa no funcionamento da rede hospitalar estadual. Enquanto isso, enfermeiros denunciam atrasos de direitos, trabalhadores relatam escassez de itens essenciais — de luvas a medicamentos — e a Maternidade Santa Mônica vira símbolo da superlotação, com vídeos de gestantes esperando atendimento circulando nas redes sociais.

Fundada em 2005 e sediada em Maceió, a Reluzir atua principalmente em serviços de higienização, conservação e terceirização de mão de obra. Em suas redes sociais, destaca treinamentos e capacitações em EPIs, mas o volume de contratos públicos chama mais atenção do que sua vitrine institucional. Documentos oficiais revelam que os sócios da empresa são Lyvia Rocha Firmo e o titular do CNPJ da MSJ Participações LTDA, empresa ligada ao empresário Murilo Sérgio Jucá — figura conhecida no ramo de terceirizações públicas.

A atuação de Murilo Sérgio, porém, não se limita a Alagoas. No governo federal, suas empresas acumulam R$ 49,9 milhões em contratos, principalmente por meio da BRA Serviços e do Ministério da Educação. Há ainda acordos firmados pela Reluzir e pela Ancol Anjos Engenharia. No Distrito Federal, os números são ainda mais expressivos: R$ 346,6 milhões em contratos firmados exclusivamente através da BRA.

Em Alagoas, embora parte dos recursos destinados ao grupo empresarial chegue via BRA Serviços Administrativos, é a Reluzir quem concentra a maior fatia, principalmente através da Secretaria de Estado da Saúde, via Fundo Estadual de Saúde. Isso significa que, enquanto hospitais acumulam dívidas internas, estruturas colapsam e trabalhadores denunciam abandono, a terceirizada segue como uma das maiores beneficiárias do orçamento estadual.

O contraste entre o colapso da saúde e a escalada de contratos milionários expõe uma contradição que a gestão Paulo Dantas ainda não conseguiu — ou não quis — explicar: como justificar repasses tão elevados a serviços de limpeza enquanto unidades de saúde relatam faltar o básico?

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