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Tudo ou nada

Há momentos em que a política abandona as reticências e decide falar em ponto final. Foi o que aconteceu nesta sexta-feira, quando o PSDB nacional publicou a sua “seleção tucana” de candidatos a governos estaduais em 2026 e colocou o nome de JHC ao lado do Palácio dos Palmares. Sem asterisco. Sem nota de rodapé.

Durante meses, o ex-prefeito de Maceió cultivou aquela ambiguidade calculada que os políticos experientes dominam como arte: agendas no interior, postagens sugestivas nas redes, aliados que falavam o que ele próprio se recusava a dizer. Um silêncio eloquente, desses que comunicam mais do que qualquer discurso. Agora, o partido tomou a palavra por ele — e não há como devolvê-la.

A publicação não resolve tudo. Composições, alianças, a geometria variável do palanque alagoano — nada disso está decidido. Mas inaugura uma nova fase: a do ponto de não retorno. Quem é colocado numa vitrine nacional ao lado de Ciro Gomes não pode, na semana seguinte, alegar que ainda está pensando. O jogo mudou de natureza.

O que torna este movimento ainda mais carregado é a circunstância que o precede. JHC saiu da Prefeitura de Maceió sem mandato e sem cargo, dependendo inteiramente da aposta estadual para manter-se como força política em 2026. Quando a única moeda disponível é o futuro, não se pode economizá-la — é preciso apostá-la inteira. Tudo ou nada, como resumem os que o conhecem.

E há, ainda, a dimensão familiar dessa equação, que transforma a candidatura num empreendimento quase dinástico: a mãe, senadora Eudócia Caldas, busca a reeleição ao Senado; a mulher, Marina Candia, é cotada para uma vaga na Câmara Federal. Três nomes, três missões, um único destino comum. Se a família que ora junta, nunca se separa, esta aqui decidiu orar em público — e no mesmo palanque.

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