A pressão sobre o vereador Rui Palmeira (PSD), ex-prefeito de Maceió e ex-secretário do governo Paulo Dantas (MDB), atingiu um novo patamar. Às vésperas de ver suas contas relativas ao período 2018–2020 caminharem para rejeição na Câmara Municipal, Palmeira adotou uma estratégia incomum — e interpretada nos bastidores como uma ofensiva política contra a própria Casa.
Em meio ao processo de análise, o vereador ingressou com uma ação judicial exigindo que a mesa diretora da Câmara entregue, em até 10 dias, uma série de documentos sobre a contratação de terceirizados no Legislativo maceioense. Embora a justificativa oficial seja a de “acesso à informação”, a movimentação foi lida internamente como um ato de pressão direta sobre a direção da Casa, que tem nas mãos o desfecho das suas contas.
A ofensiva ocorre justamente quando a situação de Rui Palmeira se agrava. Um parecer técnico da Comissão de Finanças, Orçamento e Fiscalização Financeira aponta inconsistências graves, sobretudo na área da Educação. Segundo técnicos legislativos, a gestão do então prefeito pode ter descumprido o mínimo constitucional de 25% de investimentos na Educação, configurando possível violação à Constituição e à Lei de Responsabilidade Fiscal — um dos erros mais sensíveis na análise de contas públicas.
A comissão responsável pelo caso é composta pelos vereadores Samyr Malta, Caio Bebeto e Neto Andrade. Internamente, o grupo já sinalizou que vê poucas chances de reverter o parecer desfavorável. A leitura predominante é que Rui Palmeira vive um momento de desgaste profundo e isolamento político, bem distante da influência que exerceu em anos anteriores. Parlamentares relatam que antigos aliados “desapareceram” do debate, deixando o ex-prefeito praticamente sozinho na tentativa de evitar uma derrota em plenário.
A ação judicial, portanto, teria menos efeito prático e mais caráter simbólico e intimidatório, segundo avaliam membros da mesa diretora. Para eles, a iniciativa demonstraria o desespero de quem perdeu capacidade de articulação no momento decisivo.
Enquanto isso, o processo avança para a fase de debates e audiências públicas, quando serão confrontados os documentos enviados pela Prefeitura à época, os relatórios da Câmara e os pareceres prévios do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AL). A votação final em plenário deve ocorrer nas próximas semanas e tende a sacramentar um duro revés político para Rui Palmeira — que, de liderança consolidada no passado, passa agora a enfrentar o risco real de ver sua trajetória marcada por uma reprovação de contas com forte impacto eleitoral.
O clima dominante entre os vereadores é de que o destino do ex-prefeito já está selado. E sua reação, cada vez mais intempestiva, apenas reforça a percepção de que o cerco se fechou.




