A derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal abriu uma crise silenciosa no núcleo político do governo Luiz Inácio Lula da Silva e colocou sob suspeita aliados estratégicos no Senado. Entre eles, os senadores alagoanos Renan Calheiros e Renan Filho, ambos do MDB.
Reportagem publicada pela Folha de S. Paulo nesta quinta-feira (30) aponta que integrantes do Palácio do Planalto passaram a desconfiar de um possível movimento de infidelidade política por parte da dupla. A suspeita é de que pai e filho tenham votado contra a orientação do governo, favorecendo o nome do ministro do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas, que também era cogitado para a vaga.
O resultado — 34 votos favoráveis e 42 contrários — marcou um episódio raro: a primeira rejeição de um indicado ao STF desde 1894. O placar acendeu o alerta máximo no governo, que reuniu aliados no Palácio da Alvorada para mapear, voto a voto, possíveis dissidências dentro da base.
Nos bastidores, a derrota é atribuída a uma articulação mais ampla no Congresso. Interlocutores do governo mencionam o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o senador Rodrigo Pacheco como peças relevantes no tabuleiro político que resultou no revés. Há ainda referências ao ministro do STF Alexandre de Moraes, citado como parte de um movimento para preservar o atual equilíbrio de forças na Corte.
Apesar do ambiente de desconfiança, Lula tem adotado cautela. Auxiliares relatam que qualquer reação mais dura — como exonerações ou reconfiguração da base aliada — dependerá de uma apuração detalhada. A estratégia, segundo aliados, é evitar decisões precipitadas que possam ampliar o desgaste com o Congresso em um momento já sensível para a articulação política do governo.
Fonte: Folha de São Paulo




