Há protagonistas que esperam o palco, e há os que já o ocupam antes mesmo de o pano subir. JHC, observem, pertence à segunda categoria. Enquanto a oposição se esmera no exercício mais antigo da política — o de tentar diminuir o adversário a golpes de murmúrio —, o homem segue costurando, no melhor sentido da palavra, as alianças que hão de consolidar a chapa majoritária. Cada ponto da costura, diga-se, é dado com a mão de quem conhece o tecido.
A oposição trabalha, e trabalha duro, para reduzir o tamanho de sua força de articulação. Esforço meritório, não fosse inútil. Porque o nome de JHC cresce justamente onde menos se quer que ele cresça: entre as lideranças que, por ora, calam. Não calam por hesitação. Calam por cálculo. O silêncio, na política, raramente é vazio — é, com frequência, a antessala da adesão. Esses que hoje se fazem mudos guardam o aplauso para a hora certa, temerosos das represálias que vêm sempre antes do tempo, nunca depois.
Ora, pois. Maquiavel ensinava que o príncipe sábio não corre atrás da fortuna — prepara-se para recebê-la quando ela bate à porta. JHC não espera por algo nem por alguém. Não há, em seu jogo, a postura de quem aguarda um sinal do alto ou um gesto de terceiros. Ele é o sinal. É o gesto. É o eixo em torno do qual os demais ainda haverão de gravitar, queiram ou não.
E é nesse ponto que a oposição comete seu erro mais elegante: confunde articulação com fraqueza, confunde paciência com indecisão. Quem costura não está parado — está construindo. Quem ouve o silêncio dos cautelosos não está só — está sendo aguardado.
A briga continua acesa, como há de ser. Mas há protagonistas, e há figurantes que se julgam protagonistas. A diferença, no fim, costuma ser revelada não pelo barulho que se faz, mas pelo lugar que se ocupa quando as luzes se acendem. JHC já ocupa o seu. Redondamente.




