Há uma geometria cruel na política alagoana, e ela se repete com a fidelidade das marés. O candidato que sobe rápido demais costuma aprender, a duras penas, que a altitude tem preço — e que o preço nem sempre vem do adversário. Às vezes, vem do aliado.
Alfredo Gaspar liderava com folga. Era o nome que os levantamentos de intenção de voto colocavam à frente, confortavelmente, na corrida ao Senado. Junho, porém, trouxe as primeiras oscilações. Não são ruínas ainda. São fissuras. E fissuras merecem atenção justamente porque, quando viram ruínas, já é tarde para o pedreiro.
O que se comenta nos bastidores de Maceió aponta para Arthur Lira como a variável perturbadora da equação. O ex-presidente da Câmara, que conhece como poucos os atalhos e as encruzilhadas do tabuleiro alagoano, vem ampliando suas articulações pelo estado com a desenvoltura de quem reconhece o terreno palmo a palmo. Nada de surpreendente nisso. O problema é que articular, neste estágio da história de Lira, carrega junto um peso crescente de desgaste — e desgaste, como se sabe, é um vírus que se transmite por contato.
A dobradinha entre os dois nomes do PP/PL é, simultaneamente, um ativo e um passivo. Ativo porque Lira tem estrutura, tem capilaridade, tem o fino domínio das negociações que fazem o mapa político de Alagoas se mover. Passivo porque o eleitor, às vezes mais intuitivo do que os analistas gostariam de admitir, percebe quando um candidato carrega nos ombros uma bagagem que não é a sua. E pode decidir que não quer pagar pelo frete.
Gaspar precisará, agora, da difícil arte de medir distâncias sem romper pontes. Nem tão perto que a sombra do aliado apague a sua própria luz, nem tão longe que pareça ingratidão — e ingratidão, na política, é dívida que se cobra com juros na hora menos esperada. É um equilíbrio que exige precisão de relojoeiro. Raramente se encontra, na política brasileira, quem tenha esse pulso.




