Alagoas tem o dom da repetição. Não a repetição virtuosa do artesão que aperfeiçoa seu ofício, mas aquela outra — a do hábito que se sente tão à vontade que nem se dá ao trabalho de variar o roteiro. Dinheiro em espécie, operação federal, família política de sobrenome conhecido, e o calendário apontando, pontual como sempre, para a vizinhança de uma eleição. O script está tão rodado que os atores já nem precisam de ensaio.
A Operação Delivery, deflagrada nesta terça-feira, 28 de julho, pela Polícia Federal em parceria com a CGU, é filha legítima de novembro de 2025, quando um “construtor e empresário” foi preso em flagrante em Murici carregando R$ 270 mil no bolso — e o palco da detenção, convém sublinhar, foi a sede da Prefeitura local. O prefeito de Murici é Remi Calheiros Filho, filho do deputado estadual Remi Calheiros, sobrinho de Renan Calheiros e primo do ex-ministro Renan Filho. Toda uma constelação familiar do MDB, alinhada no mesmo céu. Não se afirma aqui culpa de ninguém — isso é tarefa da Justiça. Registra-se, apenas, a topografia do episódio.
Nesta terça, a PF apreendeu R$ 123 mil em espécie, mais 1.697 dólares, 7.345 euros e 550 libras esterlinas — um sortido cambial que, convertido, soma R$ 178.048,31. Seis mandados de busca e apreensão cumpridos entre Murici e Maceió, sequestro de bens e valores que alcançam R$ 1.301.762,59 e a suspensão de funções de servidores investigados. Os crimes possíveis no cardápio: corrupção ativa, corrupção passiva, peculato e associação criminosa. Nada que soe exótico para quem acompanha a crônica policial do estado.
O que torna o episódio ainda mais instrutivo é o antecedente de 2022. Naquele outubro, às vésperas do pleito, o então presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Victor, do MDB, teve quase R$ 146 mil apreendidos pela PF. O dinheiro, depois, foi devolvido por decisão judicial. O inquérito, trancado. Alagoanos de memória comprida lembram. Os de memória curta, bem — para esses, a Operação Delivery chega como novidade.
A origem A Operação Delivery não nasceu hoje. É fruto direto da prisão em flagrante de novembro de 2025, quando um homem identificado como “construtor” foi detido pela PF em Murici com R$ 270 mil em dinheiro. O local da apreensão foi a própria Prefeitura do município.
O balanço do dia A PF apreendeu R$ 123 mil em reais, além de moeda estrangeira — dólares, euros e libras — que somam R$ 178.048,31 no total convertido. O sequestro judicial de bens e valores chega a R$ 1.301.762,59.
O calendário Ano pré-eleitoral em Alagoas. As “malas” aparecem com a mesma pontualidade das campanhas. Não é coincidência — é método.
Não ofende R$ 270 mil em novembro, R$ 178 mil em julho: alguém ainda precisa de explicações sobre para onde ia o dinheiro?
As más Os investigados na Operação Delivery poderão responder por corrupção ativa, corrupção passiva, peculato e associação criminosa — crimes que, juntos, descrevem com precisão cirúrgica o que acontece quando o erário vira caixa próprio.
Fonte: BlogdokleversonLevi




