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Antes do trono, o fosso: Lira mira a CCJ para chegar à presidência do Senado com poder real

 

 

 

 


Arthur Lira não tem pressa. Ou melhor — tem toda a pressa do mundo, mas sabe disfarçá-la com a paciência calculada de quem já aprendeu, à dureza, que o poder mal empunhado é poder desperdiçado.

O alagoano chega ao Senado com o traquejo de quem presidiu a Câmara nos anos mais turbulentos da política recente e saiu de lá de pé, o que não é pouco. Agora, a estratégia está posta: primeiro a CCJ, onde se pauta o que pode e se enterra o que convém; depois, com a casa arrumada e as alianças tecidas fio a fio, a presidência do Senado — mas não em fevereiro de 2027, quando o cargo viria com uma âncora presa ao tornozelo.

Quem assumir em 2027 governa dois anos e vai embora, vedada a recondução na mesma legislatura. Lira não quer o poder com prazo de validade estampado na testa. Quer o poder que se renova, que se perpetua, que permite ao seu ocupante olhar para o adversário e sussurrar, com a cortesia dos que não precisam gritar: *eu ainda estarei aqui quando você já tiver partido*.

Há nisso uma leitura quase clássica do jogo. Antes de tomar a fortaleza, domina-se o fosso. Antes de sentar no trono, controla-se quem redige as regras. A CCJ é exatamente isso: o lugar onde as batalhas se vencem antes de começarem, onde o mérito de uma proposta depende menos de sua qualidade do que de quem a assina e de quem preside a mesa.

Lira sabe disso. É provável que saiba isso melhor do que qualquer outro parlamentar em Brasília hoje. O tempo dirá se o cálculo fecha — mas por enquanto, o homem parece estar jogando xadrez enquanto o resto do tabuleiro ainda discute as regras do dominó.

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