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Maceió não cabe no acordo

 

Há sonhos que atrapalham carreiras. O de Alfredo Gaspar atende por nome de cidade: Maceió. Quem convive com o deputado federal garante que a prefeitura da capital é a ambição que ele carrega há tempos, guardada como quem guarda escritura de bem de família. Acontece que, na política, escritura não vale muito — vale acordo. E acordo exige dois.

O cálculo que se desenha para 2027 é frio e sem lirismo. O futuro de Gaspar passa, antes de tudo, por uma costura com o governador eleito JHC, de olho em 2028. Pode render até uma cadeira no primeiro escalão, dessas que dão palanque e agenda. Mas o preço está escrito em letra miúda no rodapé do contrato: abrir mão exatamente daquilo que ele mais quer.

Porque JHC já tem candidato a Maceió, e o candidato é o prefeito Rodrigo Cunha. Não há vaga. O governador eleito não precisa procurar nome, não precisa ouvir pesquisa, não precisa testar alternativa. Está resolvido. E nada é mais inflexível em política do que uma sucessão já resolvida na cabeça de quem manda.

Resta então a Gaspar o dilema que a aritmética eleitoral impõe aos que têm voto mas não têm palanque. Ele é, hoje, um dos nomes mais competitivos da capital — capital político próprio, construído fora do abrigo de qualquer governo. Competitivo, porém, não é o mesmo que viável. Competitivo se mede em urna; viável se mede em sala fechada, com café frio e nenhuma testemunha.

É o velho pedágio da política brasileira: paga-se com o sonho para comprar o cargo. Quem entra no governo entra calado sobre a capital; quem insiste na capital entra na oposição sem querer. E o deputado terá de escolher qual das duas portas atravessa, sabendo que a outra se fecha atrás dele — e que, em Alagoas, portas fechadas raramente reabrem na eleição seguinte.

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