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O silêncio como posição

Há políticos que confundem presença com ruído. Falam porque temem o vazio, reagem porque não suportam a ideia de que alguém, em algum lugar, tenha dado a última palavra. Vivem de eco. E o eco, convém lembrar, nunca inventou nada: apenas devolve o que já foi dito, um pouco mais fraco.

JHC fez outra escolha. Não anuncia o movimento, lê o cenário. Calcula. Espera o momento. Para quem assiste de fora, isso parece imobilidade, e é justamente aí que mora o engano mais antigo da política — a confusão entre quem está parado e quem está apenas quieto.

Porque o tabuleiro muda a cada lance. Quem se apressa em reagir responde sempre ao movimento anterior, nunca ao próximo, e assim vai sendo conduzido sem perceber que foi convertido em peça. O que parece ação é, no fundo, obediência ao ritmo alheio.

O silêncio, nesse caso, não é ausência de posição. É posição. Guardar a fala é guardar a vantagem, e nenhuma vantagem sobrevive ao anúncio prematuro. Quem abre o jogo antes da hora entrega de graça aquilo que teria custado caro ao adversário descobrir.

Nem sempre quem faz mais barulho conduz a partida. Com frequência, quem grita está apenas disfarçando que não sabe o que fazer com as peças que tem na mão. O estrondo é um biombo. Atrás dele, em geral, não há plano nenhum.

E a política tem dessas ironias: ao final, costuma dar razão a quem falou menos e enxergou mais longe.

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