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“Isso é desvio de finalidade”, diz governador eleito

Vaga esperou dois anos e virou pressa de seis dias

Demorou dois anos para a vaga de conselheiro da ARSAL virar assunto urgente em Alagoas. Aberta desde 2024, só ganhou status de emergência depois de encerrada a eleição: projeto relâmpago, tramitação a jato e a nomeação de Otávio Lessa consumada em seis dias. Pressa que não se via quando a cadeira apenas esperava, vazia e discreta, pelo melhor momento político.

O melhor momento, ao que tudo indica, era exatamente aquele: o intervalo entre o resultado das urnas e a posse de quem vai governar. A Justiça, porém, acatou a Ação Popular apresentada pelo governador eleito e suspendeu a nomeação. Agora a vaga voltou a ser o que era antes da eleição: uma vaga.

“Isso é desvio de finalidade”, resumiu o governador eleito, que tratou o episódio como cumprimento de compromisso de campanha. E completou: “Alagoas vai voltar a ser governada com respeito.”

Conta de padeiro

Dois anos de espera contra seis dias de nomeação. A matemática do calendário é mais eloquente do que qualquer defesa jurídica apresentada até aqui.

Relógio parado

Ninguém explicou por que a mesma vaga que podia esperar desde 2024 não podia esperar mais algumas semanas até a troca de governo.

Coragem declarada

“Coragem é defender a moralidade pública”, disse o governador eleito ao anunciar a decisão judicial. Palavra que anda em falta na estação das agências reguladoras.

Agência disputada

A ARSAL regula serviços que pesam no bolso do alagoano. Cadeira de conselheiro em agência reguladora nunca interessa a ninguém por acaso.

Promessa cumprida

O governador eleito fez questão de registrar que agiu em cumprimento ao compromisso assumido. Em Alagoas, promessa cumprida ainda é notícia.

Herança amarrada

Nomeação de última hora em agência reguladora é o tipo de pacote que o sucessor recebe lacrado e paga por anos. Desta vez, o lacre foi rompido antes da entrega.

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