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BNDES pede falência da TV Gazeta de Alagoas após emissora de Fernando Collor descumprir plano de recuperação judicial

O embate que se arrasta há anos entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a TV Gazeta de Alagoas — principal emissora do Sistema Gazeta de Comunicação, controlado pela família do ex-presidente e ex-senador Fernando Collor de Mello — chegou ao seu ponto mais crítico. O banco protocolou na Justiça o pedido de falência da empresa após constatar reiterados descumprimentos do plano de recuperação judicial firmado para evitar o colapso financeiro do grupo. A medida, extrema e rara quando se trata de concessões de radiodifusão, lança novas sombras sobre o futuro da emissora e sobre a postura de seus controladores diante de uma crise que já não pode mais ser camuflada.

Segundo documentos anexados ao processo, o BNDES alega que a TV Gazeta deixou de cumprir obrigações básicas assumidas quando obteve a aprovação judicial do plano de recuperação. Entre os pontos mais graves estariam o não pagamento de parcelas renegociadas, a ausência de garantias exigidas e inconsistências nas prestações de contas apresentadas ao administrador judicial. Para o banco, a conduta caracteriza “inadimplência continuada e deliberada”, inviabilizando a continuidade da recuperação e tornando inevitável a decretação da falência.

A solicitação, porém, não é apenas um capítulo jurídico: ela desencadeia uma disputa política e empresarial de grande repercussão em Alagoas. A TV Gazeta, fundada há mais de quatro décadas e historicamente vinculada ao poder político de Collor, vive um processo acelerado de deterioração financeira. Quedas sucessivas de receita, perda de competitividade no mercado publicitário e problemas estruturais coincidiam, nos bastidores, com denúncias de má gestão e concentração decisória no núcleo familiar que comanda o grupo.

Para além dos impactos internos, o pedido de falência acende um alerta nacional. Concessões de televisão, por serem serviços públicos, não podem simplesmente “fechar as portas”. Caso a falência seja decretada, caberá ao Ministério das Comunicações avaliar a continuidade da outorga, podendo inclusive iniciar processo de caducidade. Ou seja: a marca Gazeta, durante décadas uma das maiores vitrines de Collor, corre o risco real de desaparecer do espectro televisivo.

O processo agora aguarda decisão judicial, mas fontes próximas ao caso afirmam que o BNDES adotou a postura mais dura possível após anos de tentativas frustradas de negociação. O destino da emissora — que já foi símbolo de influência e longevidade política — passa a depender de um juiz, da capacidade de organização de seus gestores e do peso crescente da própria crise financeira que a engolfa. Uma pergunta, entretanto, permanece sem resposta: até onde vai a responsabilidade da família Collor no colapso de um dos maiores grupos de comunicação de Alagoas?