Por meses, JHC (PSDB) e Renan Filho (MDB) jogaram o mesmo jogo: fingir que a colisão não viria.
No campo do ex-prefeito de Maceió, a aposta era de que o grupo dos Renans concentraria suas fichas na reeleição do senador Renan Calheiros — e que Renan Filho permaneceria em Brasília, preservando projeção nacional sem arriscar uma derrota em casa. No campo oposto, o cálculo era espelhado: JHC ficaria na prefeitura ou, no limite, disputaria o Senado — cadeira hoje ocupada por sua mãe, Eudócia Caldas (PSDB), um caminho aparentemente menos arriscado.
O próprio JHC chegou a sinalizar a interlocutores influentes em Brasília que iria ao Senado. Estratégia de neutralização ou convicção real? Difícil saber. O fato é que ganhou tempo.
Os dois lados alimentavam a mesma ilusão: evitar o confronto direto. E isso tem lógica. JHC e Renan Filho são os nomes mais fortes da nova geração da política alagoana — bases diferentes, estilos diferentes, projetos diferentes. Ambos sabem o que uma guerra direta pode custar. Tanto que se reuniram várias vezes em 2025 e neste ano, inclusive quando Renan Filho ainda estava no Ministério dos Transportes.
Mas o tempo das ilusões acabou.
Com pré-campanhas nas ruas, caravanas pelo interior e chapas sendo montadas, o choque se tornou inevitável. E tende a ser equilibrado — ao menos no cenário atual.
Para JHC, o peso é maior. Ao deixar a prefeitura, ele joga tudo. Uma vitória consolida sua transição de liderança municipal para estadual. Uma derrota o deixa sem mandato e sem o capital político que levou anos para construir.
Renan Filho tem mais margem de manobra: mesmo perdendo, mantém quatro anos de Senado para se reorganizar. Mas não é disso que ele fala com aliados. Para ele, um novo mandato em Alagoas é etapa de um projeto com horizonte nacional.
O que se desenha no estado, portanto, é maior do que uma eleição. É o choque entre dois projetos de poder que, até pouco tempo atrás, ainda tentavam se desviar um do outro.
Tentavam. Agora, não tem mais como.




