A luz apagou. Literalmente. No Hospital Geral do Estado, o HGE, referência em emergências de Alagoas, a energia elétrica simplesmente sumiu. Num hospital. Onde há pacientes em estado grave. Onde cada segundo conta. Onde a diferença entre o claro e o escuro pode ser a diferença entre a vida e a morte.
Isso não é metáfora. É o retrato mais cru e mais cruel do que a saúde pública alagoana se tornou: um lugar onde falta médico, falta remédio e, agora, falta até a energia para manter tudo funcionando. Ou seja, falta o básico do básico — e quem paga o preço mais alto é sempre o mais pobre, o que não tem outro lugar para correr.
E para deixar a ferida ainda mais exposta, basta cruzar a cidade e olhar para o Hospital da Criança, o HC Maceió. Lá, quatro geradores próprios e independentes garantem que um colapso como o do HGE jamais aconteça. Quatro. Geradores. Independentes. Vale ressaltar que a diferença não é de tecnologia, não é de conhecimento técnico — é de prioridade, de gestão, de quem decide para onde vai a atenção e, principalmente, para onde vai o dinheiro público.
O que aconteceu no HGE não é acidente. É consequência. É o resultado acumulado de anos de descaso, de abandono sistemático, de uma gestão que deixa o maior hospital de emergência do estado à mercê de uma rede elétrica sem respaldo, sem redundância, sem proteção. Inaceitável é a palavra — mas ela já soa pequena diante do tamanho do problema.
Alagoas quer mudança, dizem as vozes que ecoam diante desse colapso. Mas a pergunta que fica no ar, pesada como o silêncio de um corredor de hospital no escuro, é: quem apagou a luz — e por que ainda está no poder para apagá-la de novo?




