As eleições de 2026 em Alagoas trazem um dos duelos de bastidores mais fascinantes das últimas décadas. Longe dos holofotes da capital, o termômetro do poder estadual será medido pela capacidade de articulação de dois autênticos “caciques” do interior: Neno da Laje (PP) e Cícero Cavalcante (MDB). Há mais de 30 anos, essa dupla domina, de forma ininterrupta e incontestável, a política em suas respectivas regiões de influência. Agora, o desafio é transformar o carisma local em uma avassaladora votação estadual.
Inabalável no comando de São José da Laje, Neno entra na disputa com uma musculatura política renovada. O ex-prefeito recebeu o aval e o apoio estratégico do deputado federal Arthur Lira (PP), uma das figuras mais influentes da política nacional.
Lira vem operando diretamente nos bastidores para canalizar o apoio de prefeitos apadrinhados e expandir as bases de Neno para além da Zona da Mata. Entre os trunfos dessa articulação estão alianças de peso em municípios estratégicos:
Rio Largo: Terceiro maior colégio eleitoral do estado, garantindo uma densidade de votos robusta.
Santa Luzia do Norte: Consolidação também de palanque na Região Metropolitana.
Cícero Cavalcante: A ousadia expansionista rumo ao topo do MDB
Do outro lado, o ex-prefeito Cícero Cavalcante adota uma estratégia agressiva para se firmar como um dos nomes mais votados do MDB na Assembleia Legislativa. O “Ciço” conta com uma engenharia familiar e política milimetricamente desenhada. O ponto de partida são seus redutos históricos na Região Norte: São Luís de Quitunde e Matriz de Camaragibe, cidades administradas por seus parentes diretos há décadas.
Porém, Cavalcante não se limita ao Norte do Estado. Sua teia política estende-se por diversas outras cidades e finca bandeira na capital, Maceió, onde conta com o apoio estratégico e a estrutura do vereador Kelmann Vieira, seu ex-genro. Para abrir espaço a essa grande investida, a deputada estadual Flávia Cavalcante (MDB)— sua filha, após quatro mandatos na Casa Tavares Bastos — abriu mão da cadeira para que o pai lidere a chapa.
O Paradoxo dos Palanques Majoritários: Embora Neno e Cícero disputem palmo a palmo o voto de legenda e a influência regional para a Assembleia Legislativa, ambos convergem nos palanques majoritários deste ano. Os dois líderes fecharam questão no apoio a Renan Filho (MDB) para o Governo do Estado e na disputa ao Senado: tanto o emedebista Renan Calheiros quanto o progressista Arthur Lira
terão os votos e o empenho dessas duas máquinas políticas do interior.




