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O desgaste de uma era: o preço que Renan Filho e Paulo Dantas vão pagar pelo tempo

Doze anos. Não é uma gestão, é uma era geológica. E como toda formação sedimentar que se acumula camada por camada, o que sobra no fim é pedra — dura, pesada, impermeável a qualquer novidade.

Renan Filho governou Alagoas por oito anos. Passou o bastão a Paulo Dantas, que completou o ciclo — ou melhor, alongou a mesma curva, com outros rostos na fachada e o mesmo esqueleto por baixo. Uma década e dois anos de poder concentrado nas mesmas mãos, nas mesmas redes, nos mesmos cálculos. Qualquer semelhança com hereditariedade política não é coincidência: é o método.

O problema dos impérios que duram muito não é apenas a estagnação. É que eles convencem a si mesmos de que estão se movendo. Reformulam o discurso, trocam os assessores, pintam as paredes — e chamam a isso de transformação. O eleitor, esse sujeito que insistem em subestimar, percebe a diferença entre renovação e maquiagem. E quando percebe, a conta chega.

A rejeição que cresce em Alagoas não é capricho da opinião pública. É a aritmética implacável do desgaste. Doze anos constroem também um inventário de promessas não cumpridas, de expectativas corroídas, de paciência gasta até o osso. O que era base vira ceticismo. O que era ceticismo vira raiva. E raiva, em ano eleitoral, tem nome e endereço certo.

Há uma lei não escrita da política brasileira — não está em nenhum regimento, mas vale mais do que muitos — que diz: ninguém fica para sempre sem pagar o preço do tempo. Os que imaginam ter domado esse princípio em geral são os primeiros a se surpreenderem quando ele retorna, com juros. Em Alagoas, o relógio já marcava. E o som que se ouve agora, para quem tem ouvidos, é o da maré virando.

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