Julho chegou com a gentileza de servir a João Henrique Caldas dois presentes consecutivos, embrulhados em dias úteis de semana. Quinta e sexta. O tipo de sequência que os cabos eleitorais chamam de embalo e os adversários preferem não comentar.
O primeiro presente veio do Judiciário: a exclusão de JHC da ação movida pelo senador Renan Calheiros, que pretendia responsabilizá-lo pelo investimento de R$ 117 milhões do IPREV Maceió no Banco Master e bloquear seus bens. A ofensiva jurídica de Renan não sobreviveu ao escrutínio do processo. Desfez-se. E com ela sumiu também o fantasma do bloqueio — que, numa pré-campanha, vale mais que qualquer outdoor.
O segundo presente veio das urnas hipotéticas do instituto Paraná Pesquisas, via TV Pajuçara: 45,9% contra 41% do senador Renan Calheiros Filho. A vantagem não é confortável, mas é consistente — e, numa disputa entre um nome novo e uma dinastia, consistência tem o sabor de vitória. Quem conhece a política alagoana sabe o peso que carrega o sobrenome Calheiros nas pesquisas. Superar esse peso por quase cinco pontos, sem ainda estar em campanha formal, é a frase que dispensa o ponto de exclamação.
Há quem atribua o fenômeno a uma aposta deliberada: a de que Alagoas, em 2026, esteja com fome do que não é herdado. JHC apostou nessa leitura ao se distanciar das velhas forças políticas e se apresentar como ruptura com a tradição. Por enquanto, o eleitor parece concordar. Se vai concordar até outubro, isso é outra história — e haverá tempo de sobra para contá-la.




