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Último em educação, Alagoas colhe 12 anos de escolhas de quem governou

Último em educação, Alagoas colhe 12 anos de escolhas de quem governou

Há números que dispensam comentário e, ao mesmo tempo, exigem que se diga tudo.

O Radar IDHM, elaborado pelo PNUD, pela Fundação João Pinheiro e pelo IBGE, acaba de confirmar o que os alagoanos já sentiam na pele — ou, mais precisamente, nos bancos das escolas públicas. O componente Longevidade chegou a 0,823, índice considerado muito alto, prova de que o alagoano aprende a sobreviver com uma tenacidade que seria admirável se não fosse necessária. O componente Educação, porém, parou em 0,729 e garantiu ao estado a lanterna nacional. Último lugar. Entre todos.

A crueldade do contraste é quase literária: o mesmo povo que aprendeu a viver longa vida não recebeu, em troca, o direito de lê-la. A longevidade sem letramento é uma espécie de ironia dos deuses — conceder fôlego sem dar instrumento. De que vale chegar longe se o caminho foi trilhado no escuro?

Então vem o dado que transforma o diagnóstico em veredicto político. O mesmo grupo que governa Alagoas há cerca de doze anos — tempo exato, anote-se, de um ciclo completo de educação básica — preside essa estagnação. Uma criança que entrou na pré-escola quando esses mesmos nomes chegaram ao poder concluiu o ensino médio sem que a posição do estado no ranking se alterasse de forma substantiva. Doze anos é tempo suficiente para construir uma geração. É também tempo suficiente para explicar por que ela não foi construída.

Os especialistas apontam o Ceará como modelo. Não é difícil entender o constrangimento implícito na comparação: um estado vizinho, do mesmo Nordeste, com desafios históricos semelhantes, que decidiu encarar a alfabetização como prioridade inegociável e colhe resultados que hoje servem de referência nacional. A distância entre Alagoas e o Ceará não é geográfica. É de escolha. E escolhas, em doze anos de poder contínuo, são de responsabilidade insofismável de quem governa.

O relatório fala em evasão escolar, em apoio aos municípios, em políticas de alfabetização eficazes. São recomendações técnicas perfeitamente razoáveis. O problema é que recomendações técnicas não constrangem quem aprendeu a governar sem ser cobrado. Alagoas não precisa de mais um diagnóstico. Precisa que o próximo relatório encontre, no lugar do último colocado, um estado que finalmente decidiu encarar seus próprios números.

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